1790-1799

  Capitão FRANCISCO ALVARES DA NÓBREGA (1791 - 1862) "Chico Barra Verde". Filho de Capitão Manoel Alves da Nóbrega I e de   (1748 - 1810) e de Maria José de Medeiros (1748 - 1842). Esposo de Maria Delfina de Medeiros (1801 - 1890). Quando Cap. Francisco Alvares da Nóbrega "Chico Barra Verde" nasceu em 1791, em Brasil, seu pai, Cap. Manoel Álves da Nóbrega I, tinha 43 anos e sua mãe, Maria José de Medeiros, tinha 44 anos. Ele casou-se com Maria Delfina de Medeiros em 1828. Eles tiveram pelo menos 6 filhos e 6 filhas. Ele faleceu em 1862, com 71 anos.


 
 Novas vertentes genealógicas sugerem que o Patriarca Thomaz de Araújo Pereira, que povoou o Seridó, seria bisneto de Amador de Araújo Pereira, tronco das famílias Araújo e Pereira de Pernambuco, Paraíba e de grande parte do Nordeste. Contudo, essa teoria é objeto de controvérsia, pois foi encontrado na Freguesia de Monserrate, em Viana do Castelo, um assento de batismo, datado de 12 de março de 1701, de um Thomaz, filho de Fernão Pereira. De qualquer forma, é certo que Amador e Thomaz eram parentes, mesmo que distantes, visto que em Portugal existe um único tronco familiar para ambos os sobrenomes.

Nesse contexto de parentesco, destaca-se a figura de Pedro de Araújo Lima (1793-1870), o Marquês de Olinda, que descende diretamente de Amador de Araújo Pereira. O Marquês de Olinda ocupou postos de grande importância na história do Brasil. Membro da Constituinte de 1823 e Ministro do Império de 1827 a 1828, ele foi deputado por duas legislaturas e Presidente da Câmara dos Deputados antes de se tornar Senador em 1837. Sua ascensão culminou na regência do Império, que exerceu de forma interina em 18 de setembro de 1837 e, em seguida, efetivamente a partir de 22 de abril de 1838.

Por seus serviços, foi agraciado com títulos de nobreza: recebeu o de Visconde de Olinda na coroação de D. Pedro II, em 1841, e foi elevado a Marquês de Olinda em 1854. Como membro do Partido Conservador, foi Chefe do Gabinete de Ministros em quatro ocasiões e ocupou a pasta de Ministro por oito vezes. Sua influência se estendeu por vinte e sete anos como Conselheiro de Estado. Ao longo de sua vida, recebeu inúmeras honrarias, como Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro e da Ordem da Rosa, Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, e a Grã-Cruz de diversas ordens estrangeiras. Além de sua atuação política, foi um dos sócios fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil.



Antônio Álvares Mariz nasceu em 1795, no seio de uma família que já se encontrava profundamente enraizada na formação histórica, social e política do sertão potiguar, e faleceu em 1854, deixando uma marca indelével na memória coletiva do Seridó e, em especial, de Serra Negra do Norte. 

Era filho de Joaquim Álvares de Faria, nascido em 1770 e falecido em 1822, e de Maria José do Nascimento, também nascida em 1770 e falecida em 1827, casal que legou numerosa descendência e consolidou uma linhagem de expressiva projeção regional ao longo do século XIX. 

Entre seus irmãos figuravam personalidades igualmente inseridas na vida pública e social do período, como o coronel Antônio Álvares Mariz, o major Francisco Álvares Monteiro, Maria José do Nascimento II, Manoella Maria da Conceição, o major Joaquim Álvares de Faria Filho, Joanna Francisca dos Passos, Ana Maria da Conceição, Francisca Maria do Nascimento, Joaquina Maria do Nascimento, Isabel Francisca do Carmo e Theresa Maria da Conceição, todos participantes, em maior ou menor grau, da contextualização familiar que sustentou a influência política e econômica do grupo ao longo de décadas.

Antônio Álvares Mariz contraiu matrimônio com Mônica Freire da Silva, nascida em 1793 e falecida em 1850, sua tia materna, conforme os costumes e estratégias de aliança familiares então correntes, união da qual nasceram filhos que perpetuaram o protagonismo político da família. 

Dentre eles emergiu o coronel Manoel Monteiro Mariz, nascido em 1816 e falecido em 1865, Antônio Álvares Mariz Júnior, nascido em 1818, o major Francisco Álvares Mariz, nascido em 1819, além de outro filho homônimo, Francisco Álvares Mariz, nascido em 1821, cuja trajetória é mencionada nas fontes genealógicas disponíveis. 

A descendência de Antônio Álvares Mariz viria a ocupar, ao longo do tempo, cargos públicos relevantes, reafirmando a continuidade do prestígio e da responsabilidade cívica herdados do patriarca.

Bisneto de Manoel Pereira Monteiro, fundador de Serra Negra, Antônio Álvares Mariz emergiu como uma das figuras centrais da história política do Rio Grande do Norte durante o período monárquico. Sua vida pública foi marcada por uma sucessão de encargos de elevada responsabilidade, desempenhados com constância, zelo e espírito de serviço. 

Iniciou sua carreira como capitão de regimento de cavalaria da vila de Pombal, exercendo posteriormente a função de delegado de polícia do termo da Vila do Príncipe. Ao longo de diversas legislaturas, foi deputado à Assembleia Legislativa Provincial, ocupando de forma consecutiva e prolongada um dos mais relevantes assentos do parlamento potiguar, sempre orientado, segundo os registros da época, pelo amor à pátria e pelo compromisso com o bem público da província.

Sua atuação política alcançou ainda maior relevo quando ocupou o honroso cargo de vice-presidente da Província do Rio Grande do Norte, nomeação publicada oficialmente no Jornal do Comércio em 20 de janeiro de 1842, bem como quando foi designado comandante superior da Guarda Nacional, posto para o qual foi nomeado pelo governo imperial em 1845, exercendo autoridade sobre a região do Seridó. Tamanha era sua reputação e influência que chegou a merecer dos eleitores rio-grandenses a distinção de ser incluído em lista tríplice apresentada à Coroa para o Senado do Império, reconhecimento reservado apenas a homens de elevada estatura política e moral.

Os testemunhos contemporâneos, preservados em periódicos como o Liberal Pernambucano e o Diário de Pernambuco, ambos da década de 1850, traçam um retrato eloquente de sua personalidade. Descrevem-no como um dos homens mais abastados da província, dotado de brilhantes virtudes, influência legítima e reconhecida, trato polido e maneiras delicadas, homem ilustrado, sincero e considerado verdadeiro ornamento do Rio Grande do Norte. 

De ressaltar ainda sua condição de esposo dedicado, pai carinhoso, amigo leal, cidadão prestante e homem de bem, cuja casa se tornara refúgio natural para todos aqueles que buscavam alívio para suas necessidades materiais ou espirituais. Exercia, segundo os relatos, uma espécie de sacerdócio laico da caridade, atuando como médico e advogado gratuito dos pobres, oferecendo conselhos, recursos e proteção sem jamais exigir recompensa, movido por uma alma descrita como de elevação e grandeza.

Esse espírito público manifestou-se de forma particularmente notável durante a grande seca de 1845, quando, preocupado com a segurança da população e com o avanço da desordem social, requisitou um destacamento militar para conter a ação de ladrões e calaceiros que ameaçavam a tranquilidade da região. 

Tal força foi, em grande parte, sustentada às suas próprias expensas, mediante sacrifícios pessoais consideráveis, assegurando não apenas o sossego do lugar, mas também de áreas vizinhas da Paraíba. Durante mais de trinta anos, Antônio Álvares Mariz desempenhou suas funções públicas com evidente prejuízo de sua própria fortuna, de sua saúde e do conforto que sua posição social lhe poderia garantir, guiando-se sempre por aquilo que as fontes qualificam como sua invariável bússola: o bem público da província.

Nascido em janeiro de 1794, conforme registros contemporâneos, e falecido em 16 de setembro de 1854, aos sessenta anos de idade, Antônio Álvares Mariz recebeu sua primeira educação no Recife e cursou humanidades em Olinda, formação que contribuiu para o refinamento intelectual e a visão política que o distinguiriam ao longo da vida. 

Residiu na Fazenda Arapuá, em Serra Negra do Norte, propriedade que permaneceu sob domínio de seus familiares, simbolizando a continuidade da presença da família no território que ajudara a construir. Sua morte foi sentida de maneira profunda pela família, pelos amigos e por toda a sociedade seridoense, que lhe prestou solenes exéquias na Matriz de Sant’Ana, na Vila do Príncipe, cerimônia marcada pela presença de numerosos sacerdotes e por expressiva participação popular, testemunho inequívoco do afeto e da gratidão que o povo lhe dedicava.

No âmbito familiar, Antônio Álvares Mariz era reconhecido como verdadeiro mentor e protetor desvelado de seus parentes, promovendo a união do grupo e zelando pelo destino coletivo da linhagem. No plano político, mantinha estreitas ligações com figuras proeminentes do Império, como o senador Guerra e o presidente Tomás de Araújo Pereira, além de ser primo de Pedro de Araújo Lima, o Marquês de Olinda, um dos estadistas mais influentes do período, de quem obtinha favores e atenção especial para a região em que habitava, sempre em benefício do desenvolvimento local.

O legado de Antônio Álvares Mariz prolongou-se de forma consistente através de seus descendentes, notadamente por intermédio de Manoel Monteiro Mariz, que exerceu o comando superior da Guarda Nacional nos municípios do Príncipe e de Acari, atuou como suplente de juiz municipal e alcançou o cargo de terceiro vice-presidente da Província. 

Ao longo das gerações seguintes, membros da família continuaram a ocupar funções públicas relevantes, como vice-prefeituras, prefeituras e mandatos legislativos municipais, reafirmando a permanência da tradição cívica inaugurada pelo patriarca. 

O próprio autor dos estudos que resgatam essa memória, Luiz Mariz de Araújo Filho, insere-se nessa estirpe, assim como outros descendentes vinculados aos ramos familiares formados por casais como Maria Faria e Bruno Batista de Faria, Ananias Monteiro Mariz e Jovelina Adelina Monteiro, Édson Monteiro de Faria e Maria Eugênia de Faria, bem como Laurentina Laura da Anunciação e Clementino Monteiro de Faria Filho.

A evocação da trajetória de Antônio Álvares Mariz transcende, assim, o simples registro biográfico e assume a dimensão de um exercício de preservação da história local, entendida como elo fundamental entre passado, presente e futuro. Sua vida, marcada pela dedicação ao serviço público, pela integridade moral, pela filantropia e pela liderança política, constitui exemplo duradouro de compromisso com a coletividade e de responsabilidade histórica. 

Resgatar e perpetuar sua memória significa reafirmar a identidade cultural e política de Serra Negra do Norte e do Seridó, lembrando que a solidez do presente repousa, em grande medida, sobre a herança deixada por aqueles pioneiros cuja atuação moldou os destinos da região.

   

“MARIA DOS SANTOS SILVA, viuva por fallecimento de Joaquim de Araújo Pereira, rezidente nesta Cidade do Príncipe; falleceu de morte natural no dia onze de Março de mil oitocentos, oitenta e nove pelas onze horas da noite, foi sepultada no dia seguinte no Cemiterio publico d’esta Cidade do Príncipe, tendo noventa e cinco annos de idade,  nascida em 1794, figura como uma das personalidades femininas mais singulares do Seridó oitocentista. Contraiu matrimônio em 14 de abril de 1823, na Matriz de Santana da então Vila do Príncipe, atual Caicó, com Joaquim de Araújo Pereira, nascido em 1774 e então viúvo de Josefa Maria de Vasconcellos. O enlace foi celebrado segundo os cânones da Igreja, tendo como testemunhas Thomáz de Araújo Pereira e Ignacio Lopes Cavalcante Lima, com o devido assento lavrado e assinado pelo vigário Francisco de Brito Guerra, documento que confere plena validade canônica e civil ao casamento, rite et solemniter celebrado.

Joaquim de Araújo Pereira havia sido casado, em primeiras núpcias, com Josefa Freire de Medeiros, filha de Antônio Tavares dos Santos e de Rita Maria da Conceição, união da qual descendem ramos familiares de expressiva projeção regional. Em segundas núpcias, uniu-se a Maria dos Santos Silva, oficialmente reconhecida como filha legítima de Antônio da Silva e Souza e de Teresa Maria Rocha. Todavia, segundo a tradição familiar, amplamente preservada na memória oral, Maria dos Santos Silva teria sido, na verdade, filha natural de Thomaz de Araújo Pereira, o terceiro desse nome, concebida com Teresa Maria Rocha quando esta ainda se encontrava solteira. Diante da constatação da gravidez, providenciou-se o casamento de Teresa com o português Antônio da Silva e Souza, viúvo de Dona Adriana de Holanda de Vasconcelos, celebrado em 24 de junho de 1794. A criança nasceu ainda naquele mesmo ano ou no início do seguinte e foi batizada como filha legítima do casal, solução socialmente aceita à época, ad honorem familiae, para resguardar a honra e a ordem moral vigentes.

O casal Joaquim de Araújo Pereira e Maria dos Santos Silva fixou residência e domínio na Fazenda Timbaúba, posteriormente conhecida como Fazenda dos Batistas, onde se afirmaram como proprietários rurais e referências sociais, segundo os usos e costumes do sertão seridoense. Joaquim, tratado com deferência como “o senhor Joaquim de Araújo”, exerceu funções de administração na Vila Nova do Príncipe, sendo reconhecido tanto pela autoridade que emanava de sua posição quanto pela fama de sua robustez e força física, atributos que lhe granjearam respeito público. Politicamente aliado aos Pereira Monteiro, lançou, in nuce, as bases do Partido Conservador do Império em Caicó, cuja direção permaneceu, por longo período, sob a hegemonia dessas duas famílias.

Com a instauração do regime republicano, a corrente partidária passou ao comando exclusivo dos descendentes de Joaquim de Araújo Pereira, mantendo-se ativa até sua interrupção temporária em 1922, com o falecimento do coronel Joaquim Martiniano Pereira, episódio que marcou, mutatis mutandis, o encerramento de um ciclo de supremacia política iniciado ainda sob o Império.

Maria dos Santos Silva, descrita pelas memórias familiares como mulher de tez alva, olhos azuis, temperamento forte e vontade dominadora, destacou-se de forma incomum no contexto patriarcal do século XIX. Construiu prestígio político próprio, independente da autoridade do marido, a ponto de militar em campo partidário diverso sem que tal dissenso comprometesse a harmonia conjugal, sendo ambos lembrados como um casal de convivência sólida e respeitosa. Sua atuação política tornou-se célebre quando seu filho Joaquim Pereira de Araújo, conhecido como Quincoló, foi derrotado em uma eleição no município de Acari. Inconformada, Maria dos Santos Silva deslocou-se até a Corte imperial e obteve, diretamente junto ao Imperador Dom Pedro II, a anulação do pleito. Realizada nova eleição, o filho saiu vitorioso por ampla margem, episódio que consolidou sua reputação como mulher de influência extraordinária para os padrões de seu tempo.

O padre Antenor Salvino de Araújo, vigário da Freguesia de Santana do Caicó e descendente do segundo casamento de Joaquim Pereira de Araújo, deixou registrado que Maria dos Santos Silva era “uma mulher varonil, de muito prestígio político, independente nesse aspecto do Senhor seu marido”. Segundo seu testemunho, exercia autoridade direta sobre questões locais, intervinha em conflitos criminais, promovia a libertação de prisioneiros e portava, com naturalidade, um punhal afiado, símbolo de coragem e disposição para impor respeito, afirmando reiteradamente ao esposo que não dependia de sua influência para se afirmar social e politicamente.

Senhora de vasta escravaria, mantinha entre seus cativos dois de especial confiança, Catarina e Teresa, que a auxiliavam nas tarefas mais delicadas do cotidiano. A tradição oral conserva episódios que ilustram sua personalidade destemida, como o relato de que certa vez se deslocou a cavalo até Caicó trajando apenas uma camisola de dormir, gesto interpretado como expressão de ousadia e desprezo pelas rígidas convenções sociais do sertão oitocentista.

O reconhecimento oficial de sua relevância chegou por intermédio do próprio Império. Em razão dos méritos militares de um de seus filhos durante a Guerra do Paraguai, Maria dos Santos Silva tornou-se a primeira mulher da região a receber do Imperador Dom Pedro II o título honorífico de “Dona”, distinção que simbolizava não apenas o valor de sua família, mas sobretudo o peso político e social que ela própria construíra ao longo de sua vida.

Viúva de Joaquim de Araújo Pereira, Maria dos Santos Silva faleceu de morte natural na Cidade do Príncipe, em 11 de março de 1889, aos 94 anos, 4 meses e 11 dias, encerrando uma existência longa e marcada por profundas transformações históricas. O processo de inventário de seu marido tivera início em 4 de julho de 1833, documento que, ex post facto, confirma a relevância patrimonial e social do casal, cuja memória permanece indissociável da formação histórica, política e genealógica do Seridó, conforme amplamente registrado na obra de Anderson Tavares de Lyra, que a apresenta como um exemplo eloquente da presença feminina no exercício do poder em uma sociedade moldada, em regra, pela autoridade masculina.




O Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão nasceu por volta de 1797, na localidade de Boa Vista, então pertencente à capitania de Pernambuco, em um período marcado por intensas transformações políticas e profundas tensões entre o poder colonial e os ideais liberais que se disseminavam pelo mundo atlântico. Era filho de Antônio Pires e de Teodora Maria de Jesus, integrantes de um meio social atento às mudanças do tempo e sensível às ideias de liberdade que ecoavam desde a Revolução Francesa e ganhavam corpo no Brasil, sobretudo em Pernambuco. Ainda jovem, envolveu-se nas articulações conspiratórias que se levantaram contra o governo autoritário do militar português Luiz do Rêgo Barreto, figura notória pela repressão violenta à Revolução de 1817, pelo recrutamento forçado, pela pesada carga fiscal imposta à população e pela condução implacável dos julgamentos dos rebeldes.

No contexto dessas conspirações, Antônio Pires passou a ser vigiado e perseguido, tornando-se alvo direto da Coroa. O ponto culminante desse movimento ocorreu em 20 de julho de 1821, quando, na Ponte da Boa Vista, no Recife, João Souto Maior, em ação conjunta com Antônio Pires, desferiu um tiro de garrucha contra o governador Luiz do Rêgo Barreto. A tentativa fracassou, e a perseguição que se seguiu terminou com a morte de João Souto Maior, que, ao lançar-se ao rio, foi encontrado sem vida e elevado à condição de herói popular. Antônio Pires, por sua vez, conseguiu escapar, mas passou à condição de fugitivo político, obrigado a abandonar Pernambuco para preservar a própria vida.

Buscando refúgio imediato, foi acolhido no Armazém de Sal do Recife, pertencente ao Capitão-Mor Manoel de Medeiros Rocha, influente fazendeiro do Rio Grande do Norte. Reconhecendo em Antônio Pires um homem honrado, valente e digno, o Capitão-Mor não apenas se recusou a entregá-lo às autoridades, como também arquitetou uma solução que unia proteção pessoal, estratégia familiar e projeto de povoamento do sertão. Propôs-lhe que fugisse para o Seridó potiguar e ali se casasse com sua filha, Guilhermina Francisca de Medeiros Galvão, fortalecendo alianças e contribuindo para a ocupação definitiva daquela região interiorana. Embora inicialmente relutante, temeroso de abandonar a vida urbana e receoso dos perigos sertanejos, Antônio Pires acabou convencido, sobretudo ao ouvir que os conflitos com os indígenas haviam sido pacificados desde os tempos de Domingos Jorge Velho e que sua missão, doravante, seria “lavrar o que Deus lhe reservou”.

Assim, por volta de 1820, Antônio Pires partiu do Recife disfarçado entre escravizados, oculto em meio a bruacas de couro carregadas de sal, atravessando o sertão paraibano até alcançar o Seridó do Rio Grande do Norte. A tradição oral sustenta que, como forma de protegê-lo, a data de seu casamento teria sido deliberadamente adulterada nos registros, criando um álibi temporal que o desvinculasse do atentado contra o governador. Enquanto isso, em Pernambuco, a crise política se agravava e culminava na Convenção de Beberibe, em 5 de outubro de 1821, que determinou o retorno de Luiz do Rêgo Barreto à Europa, encerrando um dos períodos mais sombrios do governo colonial na capitania.

Em 9 de maio de 1821, na Fazenda Remédio, em Caicó, Antônio Pires oficializou sua união com Guilhermina Francisca de Medeiros Galvão, nascida em 1802 naquela mesma localidade e falecida em 21 de novembro de 1840. Guilhermina era filha do Capitão-Mor Manoel de Medeiros Rocha e de Ana de Medeiros Rocha, pertencendo a uma família de grande prestígio social, político e econômico no Seridó. O casal estabeleceu residência no sítio Glória, no território da então Vila do Príncipe, atual Caicó, onde Antônio Pires construiu sua vida definitiva, afastado das perseguições políticas, mas sem jamais abandonar o espírito de liderança e iniciativa que o caracterizara desde a juventude.

No Seridó, Antônio Pires de Albuquerque Galvão destacou-se como homem culto, de visão econômica avançada e profundo senso de organização social. Exerceu o cargo de Major-Comandante do Esquadrão de Cavalarias da Guarda Nacional da Vila do Príncipe, função que lhe conferiu autoridade militar e civil, além de reforçar seu prestígio regional. Sua trajetória sertaneja foi marcada pela consolidação patrimonial, pela formação de uma extensa descendência e pela inserção definitiva de sua família entre as mais influentes do Rio Grande do Norte interiorano. Faleceu em 25 de dezembro de 1857, na vila de Acari, deixando um legado que atravessaria gerações.

Do casamento com Guilhermina Francisca de Medeiros Galvão nasceram oito filhos, que constituíram a base da vasta linhagem Albuquerque Galvão no Seridó. O primogênito, Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão, falecido em 12 de outubro de 1918, casou-se em 26 de novembro de 1855, na Fazenda Ingá, em Acari, com Josefa Bezerra de Jesus, filha do Capitão Cipriano Bezerra de Araújo Galvão e de Isabel Cândida Bezerra de Araújo. Dessa união nasceram dezesseis filhos, entre eles o Major Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão Filho, além de numerosa descendência que se espalhou por diversas localidades do Seridó, Currais Novos e Acari, consolidando alianças familiares duradouras.

Antônio Pires de Albuquerque Galvão Júnior, nascido em 1823 e falecido em 1871, casou-se em 7 de janeiro de 1847, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Acari, com Porfíria Alexandrina de Jesus, filha de Antônio Pereira de Araújo e Maria José de Araújo. O casal teve nove filhos, muitos dos quais também deram continuidade à tradição de casamentos estratégicos e numerosa prole. Manoel Pires de Albuquerque Galvão, nascido em 1824 e falecido em 1912, contraiu dois matrimônios: o primeiro com Maria Alexandrina de Vasconcellos, com quem teve onze filhos, e o segundo com Rita Regina Maria de Albuquerque, com quem teve mais três, ampliando ainda mais a rede de descendentes.

Teodora Maria de Jesus, filha do Major Antônio, casou-se inicialmente com Antônio Pereira de Araújo Júnior, com quem teve dois filhos, e posteriormente com o Coronel Joaquim Pereira de Araújo, fortalecendo vínculos entre famílias tradicionais do sertão. Bernardino Pires de Albuquerque Galvão, falecido em 9 de junho de 1901, também se casou duas vezes, primeiro com Francisca Bezerra de Jesus, com quem teve quatro filhos, e depois com Isabel Cândida da Conceição, com quem gerou dezoito descendentes, formando um dos ramos mais extensos da família. Joaquim Pires de Albuquerque Galvão, nascido em 1831, faleceu prematuramente em 1855 e foi sepultado na Igreja Matriz de Sant’Ana, em Caicó. Bellino Pires de Albuquerque Galvão, nascido em 1837 e falecido em 1871, casou-se com sua sobrinha Maria Benta de Albuquerque, união da qual nasceram quatro filhos. Ana Maria Ana de Araújo Pereira, nascida em 1838 e falecida em 1890, casou-se com o Coronel Manoel Bezerra de Araújo Galvão, gerando doze filhos e ampliando ainda mais o entrelaçamento genealógico das famílias dominantes do Seridó.

A terceira geração, formada pelos numerosos netos e netas do Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão, espalhou-se por todo o Rio Grande do Norte e estados vizinhos, ocupando posições de destaque na vida rural, política, militar, religiosa e econômica. Essa descendência, cuidadosamente entrelaçada por casamentos entre primos, alianças com famílias como Bezerra, Araújo, Medeiros, Vasconcelos, Galvão e Dantas, constitui uma das mais amplas e influentes genealogias do sertão potiguar. Assim, a história do Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão não se limita à trajetória de um conspirador liberal transformado em chefe sertanejo, mas se projeta como fundamento histórico e humano de uma linhagem que ajudou a moldar a identidade social, política e cultural do Seridó ao longo dos séculos XIX e XX.

THOMAZ DE ARAÚJO PEREIRA (1799 - ) Thomaz  era filho de Antônio Pedro de Araújo (1764 - 1848) e de Teresa de Jesus da Rocha (1774 - 1838). Ele se casou com Joana Maria do Sacramento, natural de Açu/RN. O casal residiu em Acari, Açu e Santana do Matos. Seus filhos foram: Manoel Thomaz de Araújo, Ana, Francisco, Joaquim, José, João, Sebastião, Conegundes Maria de Araújo e Thomaz.




José Batista dos Santos, figura de proeminente relevo na história do Seridó, nasceu em 5 de março de 1794 — ou, segundo outras fontes baseadas em sua marca de gado, em 1795. Homem de tez alva, olhos azuis e caráter inabalável, iniciou sua trajetória com um modesto patrimônio, composto apenas por uma pequena semente de gado que, somada às reses de sua consorte, Josefa Freire de Medeiros (ou de Araújo), constituiu o cerne de sua futura riqueza. O enlace matrimonial ocorreu na Fazenda Timbaúba, em 12 de outubro de 1818; Josefa, nascida em 1800 e falecida em 1898, era filha do capitão Joaquim de Araújo Pereira e de Josefa Freire de Vasconcellos.

Distinguindo-se pela eficiência na profissão de vaqueiro, José Batista era reconhecido pela destreza tanto no campo limpo quanto na mata fechada. Com o consentimento da família Pereira Monteiro, notabilizou-se ao capturar e marcar barbatões com o ferro noventa e cinco, empreitada realizada ao lado de seu primo, o primeiro Donato dos Santos, o que lhe permitiu expandir consideravelmente seu rebanho. Em 1831, sua vocação para a liderança levou-o à promoção de capitão das armas, assumindo o comando de uma das companhias do batalhão designado para combater o movimento sedicioso de Joaquim Pinto Madeira.

Com o falecimento de seu sogro em 1833, José Batista assumiu a condução dos destinos familiares e a liderança política regional, mantendo sólida lealdade ao coronel Antônio Álvares Mariz. Sua trajetória política perpassou as hostes dos Moderados, Nortistas e Saquaremas, culminando na sustentação do Partido Conservador do Império na antiga Vila do Príncipe, atual Caicó. A partir de 1840, contou com o auxílio fundamental de seu irmão, o major Batista da Inez, homem de espírito prático e braço direito do Presidente Tomaz em diversas atividades administrativas.

Em meados do século XIX, já sob a patente de coronel, Manoel Batista Pereira dividia o comando do Partido Conservador, enfrentando a oposição liberal liderada pelo professor Joaquim Apolinar Pereira de Brito, cujo legado político seria herdado pelo genro, o senador José Bernardo de Medeiros, e perpetuado por seus descendentes até o final do século XX. Por sua vez, a linhagem dos Batista manteve sua influência através de figuras como o coronel Joaquim Martiniano Pereira, o coronel Quincó do Nicolau, e posteriormente o tenente-coronel Gorgônio da Dominga. A presença da família na vida pública estendeu-se ao século seguinte com Joel Adonias Dantas, o monsenhor Valfredo Gurgel, fundador do PSD em Caicó, e Manoel Torres de Araújo.

José Batista dos Santos, o capitão da Timbaúba, faleceu vitimado pela hidropisia em 13 de junho de 1881. Foi sepultado com as honras de sua farda de tenente-coronel no cemitério público da cidade do Príncipe, encerrando uma vida iniciada sob o Vice-Reinado e consagrada como uma autoridade de vulto durante o Império do Brasil.



Francisco Alves do Nascimento, historicamente referido como Francisco do Nascimento das Lajes, era morador na Fazenda Lajes, em glebas de terra que lhe couberam por legítima herança de seus genitores, Domingos Alves dos Santos e Joana Batista da Encarnação. Ao tempo do inventário paterno, ocorrido no ano de 1793, Francisco permanecia no estado civil de solteiro, conforme atestam as investigações do historiador Olavo de Medeiros Filho. Dotado de uma caligrafia esmerada e de redação própria, presume-se que tenha recebido um elevado grau de instrução para os padrões de sua época, embora sua conduta financeira tenha sido descrita como perdulária, revelando uma peculiar inclinação ao endividamento.

Seu desenlace ocorreu em setembro de 1797, permanecendo celibatário até o fim de seus dias, o que levou à abertura de seu inventário no ano de 1801. No título de herdeiros deste processo, figura expressamente sua irmã, Margarida Alves dos Santos, além de seus demais irmãos e sobrinhos órfãos, que herdaram seu espólio ab intestato. A trajetória de Francisco das Lajes, embora breve, ilustra a transição patrimonial dentro do clã dos Alves dos Santos e a circulação de bens e dívidas que caracterizava a economia vicentina e seridoense no ocaso do século XVIII.

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Damázia Maria da Conceição contraiu matrimônio com João Felipe da Silva, viúvo de Isabel da Rocha Meireles, filho legítimo de Francisco Gomes da Silva e de Ana Teresa, todos naturais da freguesia, conforme assento lavrado aos trinta e um dias do mês de julho de mil setecentos e noventa e três, na Fazenda dos Picos de Baixo, depois de feitas as denúncias e diligências necessárias sem se descobrir impedimento algum, em presença do Reverendo Padre Manuel Gomes de Azevedo e das testemunhas o Sargento-Mor Manuel de Medeiros Rocha e Antônio Thomaz de Azevedo, tendo sido os nubentes dispensados no grau de parentesco em que se achavam ligados por autoridade eclesiástica competente, sendo Damázia filha legítima do Capitão João Damasceno Pereira e de Maria dos Santos, naturais da mesma freguesia, e recebendo ambos as bênçãos nupciais segundo o rito da Santa Madre Igreja, conforme termo assinado pelo Cura José Antônio Caetano de Mesquita; do casal João Damasceno Pereira e Mariana Joaquina de Araújo, esta filha de Manoel de Medeiros Rocha e de Ana de Araújo Pereira e constante na descendência de Pedro Ferreira das Neves, descendeu João Damasceno Pereira, , enquanto Maria dos Santos de Medeiros,  casou-se com Bartolomeu de Medeiros Rocha, filho de Manoel de Medeiros Rocha e de Ana de Araújo Pereira, figurando igualmente na descendência de Pedro Ferreira das Neves, compondo ambos ramos familiares amplamente documentados nos registros paroquiais e genealógicos do Seridó.


Manoel de Medeiros Rocha contraiu matrimônio com Maria do Ó de Jesus, filha legítima de Antônio de Mello Vasconcelos e de Ana Gertrudes de São Joaquim, conforme assento lavrado aos onze dias do mês de junho de mil setecentos e noventa e nove, na Matriz, pelas duas horas e meia da tarde, depois de feitas as denúncias necessárias sem resultar impedimento algum e já dispensados pela Santa Sé Apostólica, em presença do Reverendo Padre Francisco Antônio Pinto, com licença do celebrante, e das testemunhas o Capitão Sebastião de Medeiros Rocha e Domingos Alves dos Santos, sendo o nubente filho legítimo do Capitão João Damasceno Pereira, já falecido, e de Dona Maria dos Santos Medeiros, e a nubente natural e moradora da mesma freguesia, recebendo ambos as bênçãos nupciais segundo o rito da Santa Madre Igreja, conforme termo assinado pelo Cura José Antônio Caetano de Mesquita; do referido consórcio nasceu Manoel, filho legítimo do casal, branco, natural da freguesia, que veio ao mundo aos quatro de setembro de mil oitocentos e cinco e foi batizado aos vinte e dois do mesmo mês e ano pelo Padre Manoel Teixeira da Fonseca, de licença competente, que lhe administrou os santos óleos, tendo sido padrinhos Pedro Paulo de Mello e Antônia Maria da Conceição, conforme registrado nos livros paroquiais.


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Simplicia Gomes de Araújo, natural da freguesia do Rio Grande, era filha legítima de José de Araújo Pereira e de Elena Barbosa de Albuquerque. Contraiu matrimônio com Jerônimo Ribeiro da Silva, natural da freguesia de Igarassu, filho legítimo de Antônio Carlos da Silva e de Rosa Maria da Conceição. O casamento realizou-se aos dez dias do mês de fevereiro do ano de mil setecentos e noventa e um, pelas dez horas do dia, pouco mais ou menos, na Fazenda dos Picos de Baixo, situada na freguesia do Seridó, após cumpridas as diligências necessárias e não se tendo verificado qualquer impedimento canônico. Estiveram presentes como testemunhas o Tenente Antônio Carlos de Figueiredo e o Capitão João Damasceno Pereira, moradores da mesma freguesia. Os nubentes, então residentes no Seridó, receberam as bênçãos nupciais segundo o rito da Santa Madre Igreja, lavrando-se o respectivo assento sob a responsabilidade do Cura José Antônio Caetano de Mesquita.

Simplicia Gomes de Araújo faleceu aos onze dias do mês de novembro do ano de mil setecentos e noventa e três, com todos os sacramentos, contando cerca de trinta anos de idade. Seu cadáver foi envolto em hábito preto de durante e sepultado sem pompa, do cruzeiro para baixo, conforme um dos registros, ou na Capela de São Gonçalo, conforme outro assento coevo, ambos atestando o falecimento na mesma data. As exéquias foram encomendadas, de licença do vigário, pelo Padre José Gonçalves de Medeiros Lisboa, tendo os respectivos registros sido firmados pelas autoridades eclesiásticas competentes.


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Isabel da Rocha Meireles, assim denominada em reprodução ao nome de sua avó paterna, contraiu matrimônio com João Felipe da Silva, filho de Francisco Gomes da Silva — não se tratando, contudo, do homônimo genro de Caetano Dantas Corrêa — e de Ana Teresa. A documentação paroquial da freguesia do Seridó conserva um assento de óbito que, ao que tudo indica, refere-se ao pai de João Felipe. Consta que, aos vinte e três dias do mês de maio de mil setecentos e noventa e nove, na Capela de Nossa Senhora da Luz da Pedra Lavrada, filial da matriz, foi sepultado Francisco Gomes, branco, viúvo de Ana Teresa de Jesus, morador na freguesia de Santo Antão da Mata, o qual, passando em viagem, faleceu com cerca de oitenta anos de idade, segundo aparentava. Recebeu apenas o sacramento da penitência, por ter sido acometido quase repentinamente de moléstia caracterizada como estupor. Seu corpo foi sepultado no cruzeiro da igreja, envolto em hábito de São Francisco, sendo encomendado pelo Padre João Barbosa de Goes e Silva, de licença do coadjutor Ignácio Gonçalves de Mello, que subscreveu o termo.

Do casamento de Isabel da Rocha Meireles com João Felipe da Silva houve, ao menos, um filho conhecido, Lourenço, identificado sob a referência BN 156. Conforme o respectivo registro, aos vinte e cinco dias do mês de agosto de mil setecentos e noventa, deu-se sepultura eclesiástica ao parvulinho Lourenço, com quatorze dias de nascido, filho legítimo de João Felipe da Silva e de Dona Isabel Dantas, já então falecida. O corpo foi envolto em chamalote amarelo, encomendado pelo Reverendo Manoel Gomes de Azevedo e sepultado no cruzeiro da Capela do Acari, filial da matriz do Seridó, conforme assento lavrado e assinado pelo Cura José Antônio Caetano de Mesquita.

A própria Isabel da Rocha Meireles faleceu pouco antes, conforme outro termo paroquial, que registra que, aos onze dias do mês de agosto de mil setecentos e noventa, recebeu sepultura eclesiástica Dona Isabel Dantas, esposa de João Felipe da Silva, morador na Fazenda do Ingá, desta freguesia do Seridó. Contava vinte e cinco anos de idade à época do falecimento e morreu tendo recebido todos os sacramentos, à exceção do sagrado viático, por não haver tempo hábil para administrá-lo. Seu corpo foi envolto em hábito de São Francisco, encomendado pelo Reverendo Manoel Gomes de Azevedo e sepultado no cruzeiro da Capela do Acari, filial da matriz, ficando assim consignado nos livros paroquiais.


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Manoel Antônio Dantas Corrêa nasceu em 5 de fevereiro de 1769 e contraiu matrimônio aos 22 de novembro de 1790 com Maria José de Medeiros, esta nascida na Fazenda São Domingos, em Santa Luzia, aos 16 de novembro de 1769, figurando no capítulo da descendência de Pedro Ferreira das Neves sob a referência TN 86. O casal estabeleceu residência na Fazenda Cajueiro, no termo do Acari, onde ambos vieram a falecer, Manoel Antônio em 23 de outubro de 1853 e Maria José em 10 de dezembro de 1856.

Da união de Manoel Antônio Dantas Corrêa e Maria José de Medeiros resultou numerosa descendência. O primogênito conhecido foi Manoel Maurício Dantas, nascido aos 22 de setembro de 1791, que permaneceu solteiro e faleceu precocemente. Consta em assento paroquial que, aos seis dias do mês de outubro de mil oitocentos e treze, na Capela do Acari, foi sepultado o cadáver de Manoel Maurício, solteiro, de vinte e dois anos de idade, filho legítimo de Manoel Antônio Dantas e de Dona Maria José de Medeiros, falecido de bexigas, tendo recebido o sacramento da penitência, sendo envolto em branco e encomendado pelo Padre André Vieira de Medeiros, de licença do vigário.

Seguiu-se Maria Madalena de Medeiros, nascida em 12 de março de 1795, que se casou com Simão Gomes de Brito, filho de Manoel da Anunciação e Lira e de Ana Tilgueira de Jesus. O casal residiu na Fazenda Coroa, em área que corresponde ao atual município de Augusto Severo, tendo também vivido em São João do Sabugi. Maria Madalena faleceu em 30 de agosto de 1827, e Simão Gomes de Brito veio a óbito em 18 de abril de 1867.

Outro filho foi Joaquim Manoel Dantas, que contraiu primeiras núpcias com Ana de Araújo Pereira, filha de Cosme Pereira da Costa e Maria Pereira da Cunha. Em segundas núpcias, casou-se com Teresa Isabel, filha de João de Freitas Lira e Isabel Maria de Barros.

Registra-se ainda um filho chamado João, nascido aos 15 de setembro de 1803, conforme assento em que se declara ser branco, filho legítimo de Manoel Antônio Dantas Corrêa e de Maria José de Medeiros, neto paterno de Caetano Dantas, natural da Paraíba, e de Josefa de Araújo Pereira, natural do Siridó, e neto materno de Manoel Álvares da Nóbrega, natural da Paraíba, e de Maria José de Medeiros, desta freguesia. Foi batizado aos doze de outubro do mesmo ano, na Fazenda das Flores, tendo por padrinhos Manoel de Medeiros Júnior e Inácia Maria.

Consta igualmente o falecimento de uma filha chamada Ana, que morreu ainda criança. O termo registra que, aos dezoito dias do mês de setembro de mil oitocentos e um, na Capela de Nossa Senhora da Guia do Acari, se deu sepultura a Ana, branca, filha legítima de Manoel Antônio Dantas e de sua mulher Dona Maria, sendo envolta em tafetá azul e sepultada das grades para cima.

Outro filho, também chamado João, nasceu aos doze de julho de 1806 e foi batizado aos dezenove do mesmo mês e ano pelo Padre Manoel Teixeira da Fonseca, com licença do vigário. Era filho legítimo de Manoel Antônio Dantas e de Maria José de Medeiros, tendo por padrinhos Rodrigo José de Medeiros e Maria José de Medeiros, todos naturais e moradores na freguesia do Siridó.

Entre os filhos mais notáveis do casal destacou-se João Valentino Dantas Pinagé, nascido na Fazenda Cajueiro, em Acari, a 4 de abril de 1808. Filho de Manoel Antônio Dantas Corrêa e de Maria José de Medeiros, formou-se bacharel em Olinda no ano de 1835. Exerceu o cargo de Juiz de Direito em Natal, instalou a comarca da Maioridade, em Martins, recusou o juizado de Direito de São Pedro do Rio Grande do Sul e aceitou o de Fortaleza, no Ceará, onde faleceu a 16 de abril de 1863. Teve destacada atuação política e administrativa, sendo considerado por Câmara Cascudo um dos mais antigos e poderosos chefes do Partido Nortista, matriz do Partido Conservador no Rio Grande do Norte. Foi diretor de importantes periódicos provinciais, chefe de polícia entre 1852 e 1853, deputado provincial em diversos biênios e chegou a presidir a Província como vice-presidente em 1838. Ficou célebre por seu caráter firme, coragem pessoal e lealdade inabalável, bem como pela energia com que se opôs a imposições políticas consideradas ilegítimas, chegando a colocar a Serra de Martins em estado de prontidão armada.

João Valentino Dantas Pinagé contraiu matrimônio com Maria Honorata de Medeiros, filha de Simão Gomes de Brito e de Maria Madalena de Medeiros. O casamento realizou-se aos dezenove dias do mês de janeiro de mil oitocentos e trinta e quatro, pelas quatro horas da tarde, na Fazenda Cajueiro, desta freguesia do Siridó, tendo precedido dispensa de sanguinidade e as canônicas denúncias. A cerimônia foi celebrada pelo Padre Thomaz Pereira de Araújo, por delegação do vigário colado Francisco de Brito Guerra, sendo testemunhas João Gomes da Silva e Antônio Manoel Dantas, ambos casados e moradores na mesma freguesia.


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Josefa de Araújo Pereira, classificada com o indicativo (2*), contraiu matrimônio com José Ferreira dos Santos, filho legítimo de Francisco Pinto Fernandes e de Maria Ferreira dos Santos. O casamento realizou-se aos vinte e seis dias do mês de novembro do ano de mil setecentos e noventa e oito, na fazenda Picos de Cima, freguesia do Siridó, pelas dez horas da manhã, depois de feitas as denúncias necessárias, sem se descobrir impedimento algum. A cerimônia ocorreu na presença do Reverendíssimo Padre Manuel Gomes de Azevedo, por licença, e das testemunhas Capitão Francisco Gomes da Silva e Tenente-Coronel Caetano Dantas Corrêa. Receberam-se por esposos, segundo o rito tridentino, José Ferreira dos Santos, natural de São Vicente do Loredo, bispado do Porto, filho legítimo de Francisco Pinto Fernandes e de Maria Ferreira dos Santos, com Dona Josefa de Araújo Pereira, filha legítima do Coronel Caetano Dantas Corrêa, já falecido, e de Dona Josefa de Araújo Pereira, sendo ambos naturais e moradores da referida freguesia. Após o consentimento matrimonial, foram-lhes concedidas as bênçãos na forma do rito da Santa Madre Igreja, conforme assento lavrado e assinado pelo Cura José Antônio Caetano de Mesquita.

Josefa de Araújo Pereira faleceu aos sete dias do mês de janeiro de mil oitocentos e dezenove, na Fazenda Picos, com cinquenta anos de idade, viúva de José Ferreira, tendo recebido todos os sacramentos, falecida em consequência de chagas lazarinas. Seu corpo, envolto em pano branco, foi sepultado no dia seguinte na Capela do Acari, sendo encomendado pelo Padre André Vieira de Medeiros. O óbito foi registrado pelo vigário Francisco de Brito Guerra.

Do referido casal houve, entre outros, os seguintes descendentes. Ana Joaquina da Conceição, nascida por volta do ano de mil oitocentos, casou-se com Sebastião de Medeiros Dantas, classificado sob a referência TN 75 no capítulo da descendência de Pedro Ferreira das Neves, filho de João Crisóstomo de Medeiros e de Francisca Xavier Dantas.

Manoel Pinto Dantas contraiu matrimônio com Maria da Conceição, filha legítima de Damázio de Azevedo Maia, classificado sob o número 29 e sob a referência N 1 no capítulo da descendência de Antônio de Azevedo Maia, e de sua esposa Feliciana Maria da Conceição. O casamento realizou-se aos vinte e cinco dias do mês de agosto do ano de mil oitocentos e vinte e dois, na Capela do Acari, filial da Matriz do Siridó, tendo precedido a necessária dispensa de consanguinidade, corridos os banhos sem impedimento, feita a confissão, a comunhão e o exame de doutrina cristã. A cerimônia foi celebrada pelo Padre André Vieira de Medeiros, de licença paroquial, que ajuntou em matrimônio e concedeu as bênçãos aos seus paroquianos Manoel Pinto Dantas e Maria da Conceição, naturais e moradores da freguesia do Siridó. O noivo era filho legítimo de José Ferreira dos Santos e de Josefa de Araújo Pereira, ambos já falecidos, e a noiva filha legítima de Damázio de Azevedo Maia e de Feliciana Maria da Conceição. Foram testemunhas Alexandre José Dantas e Antônio Dantas Corrêa, casados e moradores na mesma freguesia, que assinaram o assento juntamente com o celebrante.


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Maria Joaquina de Santana, nascida em 1796, contraiu matrimônio em 1819 com o sargento-mor Félix Antônio Ferreira de Albuquerque, filho de Inácio Bento de Ávila Cavalcanti e de Ana de Jesus Pereira, figura que viria a desempenhar papel de relevo na Confederação do Equador. Em 1824, povo e tropas, reunidos no Paço da Câmara, aclamaram um governo temporário sob a presidência do referido sargento-mor, genro do capitão-mor Bartolomeu da Costa Pereira e filho de Inácio Bento de Ávila Cavalcanti, capitão-mor de Pilar; anteriormente, Félix Antônio exercera a presidência da Câmara do Brejo de Areia em 1820, sendo agraciado ao término do mandato com a patente de sargento-mor das ordenanças, posto que já vinha exercendo desde 1821. No curso dos acontecimentos revolucionários, assumiu o comando geral das forças em retirada, que fugiam à perseguição do exército legalista, acompanhadas por diversas famílias, entre as quais a esposa do presidente revolucionário da Paraíba, atravessando as terras descampadas do sertão, abrasadas pela seca daquele ano. Entre os prisioneiros capturados figuravam o próprio presidente temporário da Paraíba, Félix Antônio Ferreira de Albuquerque, seu irmão, o padre Inácio de Ávila e Cavalcanti, e seu cunhado, o tenente-coronel José da Costa Machado, comandante do 69º Batalhão de Milícias do Brejo de Areia. Em 15 de dezembro, chegaram a Goiana, pernoitando no engenho Bujari, nas proximidades da cidade, ocasião em que, enquanto todos dormiam, extenuados da viagem, deu-se a fuga de Félix Antônio, acompanhado de outros revolucionários paraibanos; refugiou-se então em Mogeiro, ocultando-se na propriedade de seu cunhado Francisco Antônio Cabral de Vasconcelos, onde não foi localizado, apesar das diligências empreendidas. Condenado à revelia, permaneceu foragido por alguns anos, alternando-se entre Mogeiro e Caicó, onde deixara sua esposa desde a retirada das forças beligerantes para o sertão; não sendo encontrado, sua cabeça foi posta a prêmio pela quantia de quatro contos de réis, circunstância que despertou a cobiça de um vil sicário que se fizera seu amigo. Estando na fazenda Oratório, pertencente ao mesmo cunhado, costumava jogar na casa de João da Cunha, morador das vizinhanças, e, certa feita, sem jamais supor o perigo de uma cilada, aceitou pernoitar ali, atendendo aos insistentes rogos do anfitrião, que, alta noite, penetrou sorrateiramente no quarto do hóspede e lhe cravou o punhal no coração. Poucos dias após o covarde atentado, chegou à Paraíba a notícia do perdão concedido a todos os implicados no levante de 1824, beneficiados pela anistia geral outorgada pela Regência em 1831, após a abdicação de Pedro I. Informou-nos um descendente de Félix Antônio que, após a morte deste, o assassino pintou o corpo do defunto com tinta negra e avisou ao vigário local que procedesse ao sepultamento de um escravo seu que falecera, de modo que o corpo de Félix teria sido enterrado nessas condições, vindo a realidade dos fatos à tona apenas dias depois. João da Cunha não chegou a receber o prêmio de sua felonia e passou a viver assustado, receoso de vindita; por sua vez, a viúva de Félix Antônio jurou vingança e não descansou enquanto não viu punida, por meios violentos, a morte do marido, mandando por duas vezes matar o algoz, sem êxito, pois os emissários foram abatidos pelo criminoso antes de cumprirem o mandato. Decorridos oito anos, vivendo João da Cunha despreocupado e talvez esquecido do mal praticado, um terceiro emissário foi despachado com a recomendação de não errar o alvo e, agindo com segurança, descarregou um bacamarte sobre a cabeça do assassino, prostrando-o nos braços de uma filha que o acompanhava na estrada de Itabaiana, quando seguia uma boiada; a carga continha um prego que lhe varou o crânio, e somente depois de lavar em sangue a perda sofrida foi que dona Maria Joaquina de Santana depôs o luto com que se cobrira desde o atentado cometido contra seu valoroso esposo. Informa ainda Celso Mariz que Félix Antônio, cuja cabeça valia um prêmio do governo, refugiara-se em sua propriedade Oratório, no município de Areia, onde um vizinho ambicioso e traidor o apunhalou em 1831, e que, em vez do prêmio, sobreveio ao réprobo a anistia que o anulava, vindo, dez anos depois, em nobre vingança, uma descarga de fogo, disparada por dona Maria do Nascimento Lins de Albuquerque, viúva do grande paraibano.

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Ana Francisca da Paixão, nascida em 11 de dezembro de 1799, contraiu matrimônio com o coronel José da Costa Machado, filho do sargento-mor José da Costa Machado e de Feliciana Gomes de Melo, ele nascido em 9 de agosto de 1799 e falecido em 30 de setembro de 1888. Valendo-nos sempre dos dados publicados por Horácio de Almeida, verifica-se que José da Costa Machado figurou entre as influências mais destacadas de seu tempo, sendo casado com uma filha de Bartolomeu da Costa Pereira, profundo conhecedor da língua latina, pois fora seminarista em Olinda, e que conciliava a atividade de comerciante, proprietário de bolandeira, com a de criador de gado na fazenda Sapo, sem prejuízo das funções militares que exercia na vila. Por suas tendências nativistas e pelas estreitas ligações de parentesco que mantinha com Félix Antônio Ferreira de Albuquerque, de quem era concunhado, envolveu-se na revolução de 1824, tomando armas e revelando valor como tenente-coronel comandante do 69º Batalhão de Milícias, vindo a ser preso, recolhido à fortaleza de Cabedelo e condenado à morte, escapando da execução na última hora em virtude do perdão que lhe fora concedido pelo Imperador. Quando se encontrava encarcerado, ali encontrou seu velho sogro, Bartolomeu da Costa Pereira, que, embora sem culpa, fora preso em Areia e arrastado ao calabouço. Por ocasião da Confederação do Equador, pernoitou em 15 de dezembro no engenho Bujari, entre os prisioneiros que ali se achavam, figurando também seu concunhado Félix Antônio, que naquela noite logrou fugir. Após ser levado a Recife, José da Costa Machado retornou à Paraíba, permanecendo encarcerado na fortaleza de Cabedelo, condenado à morte, pendendo, contudo, a execução da sentença do recurso que interpusera, vindo afinal a escapar da forca pelo benefício do perdão. Passados alguns anos, elegeu-se deputado provincial e, posteriormente, deputado geral, alcançando ainda as honras de governador da província, ao assumir o governo em caráter provisório como segundo vice-presidente, na ausência do titular do cargo. Entre os deputados gerais eleitos pela Paraíba em 1834, figurou o areiense José da Costa Machado, revolucionário de 1824, que igualmente chegou ao governo da província em caráter provisório como vice-presidente; em 1842, foram eleitos por Areia para a Assembleia o doutor Trajano Chacon, o padre Joaquim Álvares da Costa Pereira, José da Costa Machado, o doutor Luís Cavalcante de Albuquerque Buriti e o doutor Manuel Correia Lima, e, na legislatura seguinte, de 1844 a 1845, foram eleitos pela segunda comarca, isto é, por Areia, os deputados Trajano Chacon, Manuel Correia Lima, Luís Buriti, o padre Joaquim Álvares, José da Costa Machado, o revolucionário, e o doutor José da Costa Machado Júnior. O pai, que já fora deputado geral, foi logo nomeado segundo vice-presidente da província e, nesse mesmo ano, teve oportunidade de assumir o governo em substituição ao titular do cargo, enquanto o filho, formado em direito em 1842 juntamente com seu primo Félix Antônio Ferreira de Albuquerque Filho, descendente do malogrado presidente revolucionário de igual nome, ingressou na vida política, nela atuando por largos anos sob o regime monárquico, deixando José da Costa Machado prole ilustre e falecendo na capital da Paraíba em 1888, aos noventa anos de idade.


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Maria José do Nascimento contraiu matrimônio com Joaquim Álvares de Faria, da Fazenda Carpina, filho legítimo do capitão Francisco Xavier de Faria e de Manoela Alves da Conceição, conforme assento lavrado aos vinte e cinco dias do mês de novembro de mil setecentos e noventa e quatro, na Capela de Nossa Senhora do Ó da Serra Negra, filial da matriz, por volta das dez horas do dia, depois de feitas as denúncias necessárias sem que se descobrisse impedimento algum, na presença das testemunhas, o sargento-mor Antônio Pereira Monteiro e o capitão Francisco Pereira Monteiro, quando Joaquim Álvares de Faria, morador na ribeira das Piranhas, freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pombal, e Maria José do Nascimento, moradora na ribeira das Espinharas, daquela freguesia, filha legítima do tenente-coronel Manoel Pereira Monteiro e de Teresa Maria da Conceição, se receberam por esposos com palavras de presente, recebendo logo as bênçãos segundo o rito da Santa Madre Igreja, sendo o termo lavrado e assinado pelo cura José Antônio Caetano de Mesquita. Joaquim Álvares de Faria faleceu aos três dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e vinte e dois, na Fazenda Conceição, acometido de enfermidade reumática, com cinquenta e dois anos de idade, tendo recebido todos os sacramentos, sendo então capitão-mor e casado com dona Maria José do Nascimento; seu corpo, envolto em hábito franciscano, foi sepultado no dia seguinte, acima das grades, na Capela da Serra Negra, filial da matriz, solenemente encomendado pelo padre Norberto Madeira Barros, com licença do celebrante, conforme o respectivo assento. Posteriormente, aos seis dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte e sete, na mesma Fazenda Conceição, faleceu com todos os sacramentos dona Maria José do Nascimento, viúva do capitão-mor Joaquim Álvares de Faria, em consequência de moléstias uterinas, contando cinquenta e tantos anos de idade e não tendo deixado testamento, sendo seu cadáver envolto em borél e sepultado no dia seguinte na Capela da Serra Negra, filial da matriz, onde foi solenemente encomendado, conforme registrado no termo de óbito correspondente.


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Ana Maria de Jesus contraiu matrimônio com Luís Álvares de Faria, conforme assento lavrado aos seis dias do mês de outubro de mil setecentos e noventa e cinco, na Capela de Nossa Senhora do Ó da Serra Negra, desta freguesia, por volta das seis horas da manhã, depois de feitas as denúncias necessárias sem que resultasse impedimento algum e já dispensados pela Santa Sé Apostólica, quando, na presença das testemunhas, o sargento-mor Antônio Pereira Monteiro e o capitão Francisco Pereira Monteiro, se receberam por esposos, segundo o Concílio Tridentino, Luís Álvares de Faria, natural do Recife, filho legítimo de Francisco Xavier de Faria e de sua mulher dona Manoela Alves da Conceição, com dona Ana Maria de Jesus, natural da freguesia, filha legítima do tenente-coronel Manoel Pereira Monteiro e de sua esposa dona Teresa Maria da Conceição, tendo-lhes sido concedidas as bênçãos conforme o rito da Santa Madre Igreja, lavrando-se o termo assinado pelo cura José Antônio Caetano de Mesquita. Do mesmo tronco genealógico figuram Maria Teresa da Conceição, casada com seu primo legítimo Francisco Álvares Monteiro; Francisco Álvares de Faria, unido em matrimônio à sua prima legítima Teresa Maria da Conceição; e Francisca Maria de Jesus, casada com seu primo legítimo Joaquim Gomes de Faria. Registra-se ainda Mônica Freire da Silva, casada com seu sobrinho Antônio Álvares Mariz, dos quais procederam Manoel, nascido aos seis de dezembro de mil oitocentos e dezesseis e batizado em perigo de vida, com posterior complementação dos ritos e imposição dos santos óleos na Capela de Nossa Senhora do Ó da Serra Negra, por licença do pároco; Antônio Álvares Mariz Júnior, nascido aos vinte dias de janeiro de mil oitocentos e dezoito e batizado aos vinte e cinco de fevereiro do mesmo ano, na Fazenda Arapuá, tendo por padrinhos Francisco Álvares Monteiro e Teresa de Jesus, vindo este Antônio Álvares Mariz Júnior a contrair matrimônio com dona Josefa Augusta de Maria Seja, natural da freguesia do Seridó, estabelecendo residência na Fazenda Arapuá; Francisco, nascido aos vinte e oito de setembro de mil oitocentos e dezenove e batizado aos onze de novembro do mesmo ano, na Fazenda Irapuá, tendo por padrinhos Francisco Pereira Monteiro e Francisca Maria dos Passos; e outro Francisco, nascido aos quatorze de julho de mil oitocentos e vinte e um e batizado no mesmo dia, em perigo de vida, pelo reverendo coadjutor Inácio Gonçalves Mello, na Fazenda Irapuá, sendo padrinhos o capitão-mor Joaquim Álvares de Faria, casado, e Joaquim do Nascimento, solteiro, compondo todos esses registros um quadro genealógico minuciosamente documentado nos livros paroquiais do Seridó.


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Ana Dornelles de Bittencourt foi casada com Vicente Soares de Avelar, filho legítimo de João Batista de Avelar e de Maria Bartoleza de Vasconcelos. O matrimônio realizou-se aos trinta dias do mês de janeiro de mil setecentos e noventa e sete, na Fazenda Vitória, desta freguesia, por volta das onze horas e meia da manhã, após as admoestações necessárias e sem que se descobrisse impedimento algum, na presença do reverendo padre coadjutor Inácio Gonçalves Mello e das testemunhas, entre as quais o capitão Antônio de Azevedo Maia. Foram então recebidos por esposos, segundo o rito da Santa Madre Igreja, Vicente Soares de Avelar, filho legítimo de João Batista de Avelar e de sua mulher Maria Bartoleza de Vasconcelos, já falecida, com Dona Ana Dornelles de Bittencourt, filha legítima do capitão João Garcia de Sá Barroso e de sua mulher Dona Madalena de Castro, também já falecidos, ambos naturais e moradores nesta freguesia, conforme termo lavrado e assinado pelo padre José Antônio Caetano de Mesquita.

Do casal houve, entre outros filhos, Isabel, que nasceu aos dezessete dias do mês de março de mil oitocentos e três, sendo batizada aos dezenove de maio do mesmo ano, na Fazenda da Conceição, pelo vigário Francisco de Brito Guerra, que lhe impôs os santos óleos, tendo como padrinhos José Soares de Vasconcelos e sua mulher Ana Rosa, conforme assento lavrado para constar. Houve também João, nascido aos doze dias do mês de abril de mil oitocentos e quatro, batizado aos vinte e dois do mesmo mês e ano pelo padre Manoel Teixeira da Fonseca, de licença do vigário, durante desobriga, ocasião em que lhe foram ministrados os santos óleos, sendo padrinhos Manoel Garcia e Mônica Pereira da Silva, conforme registro paroquial correspondente.


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Manoel Garcia de Sá Barroso foi casado com Maria José de Vasconcelos, filha legítima de João Batista de Avelar e de Maria Bartoleza de Vasconcelos. O matrimônio realizou-se no primeiro dia do mês de maio de mil setecentos e noventa e sete, na Fazenda Vitória, desta freguesia, por volta das onze horas da manhã, pouco mais ou menos, após feitas as denúncias necessárias e sem que se descobrisse impedimento algum. O enlace deu-se na presença do reverendo padre Francisco Antônio Pinto, de licença do cura, e das testemunhas, o tenente Joaquim Carlos de Melo e o tenente José de Azevedo. Foram então recebidos por esposos, segundo o rito do Concílio Tridentino, Manoel Garcia de Sá Barroso, filho legítimo do capitão João Garcia de Sá Barroso e de sua mulher Dona Madalena de Castro, já falecidos, com Dona Maria José de Vasconcelos, filha legítima de João Batista de Avelar e de sua mulher Dona Maria Bartoleza de Vasconcelos, também já falecida, ambos naturais e moradores desta freguesia, conforme assento lavrado e assinado pelo padre José Antônio Caetano de Mesquita.

Do casal houve, entre outros filhos, Maria, branca, filha legítima de Manoel Garcia de Sá Barroso e de Maria José, naturais desta freguesia do Seridó, que nasceu em dia não especificado do mês de fevereiro e foi batizada aos onze dias de março de mil oitocentos e quatro, na capela do Acari, pelo padre José Antônio Caetano de Mesquita, de licença do vigário, ocasião em que lhe foram impostos os santos óleos, tendo como padrinhos Silvestre Dantas Corrêa, casado, e Dona Ana Dornelles de Bittencourt, solteira, conforme assento lavrado pelo cura Francisco de Brito Guerra. Houve também Antônio, filho legítimo do mesmo casal, natural e morador nesta freguesia, que nasceu aos sete dias de abril de mil oitocentos e seis e foi batizado aos dez dias de maio do mesmo ano pelo padre Manoel Teixeira, de licença do vigário, que lhe impôs os santos óleos, sendo padrinhos Antônio Ferreira Guedes e sua mulher Ana Vitória, conforme registro paroquial correspondente.


---------------------O português Domingos Alves dos Santos foi casado com Joana Batista da Encarnação e estabeleceu residência em sua fazenda denominada Lajes, situada na ribeira do Quipauá, em território que atualmente integra o município de Ouro Branco, no Rio Grande do Norte. Tal propriedade é mencionada no inventário do próprio Domingos como “Fazenda das Lages, ribeira do Cupuhá, deste termo da Vila Nova do Príncipe, Capitania do Rio Grande do Norte e Comarca da Paraíba do Norte”.

Os antigos livros de assentamentos de sepultamentos da então Freguesia do Seridó, no Caicó, registram o falecimento do casal. Consta que, aos dezessete dias do mês de março de mil setecentos e noventa e três, foi sepultado na Matriz o corpo de Domingos Alves dos Santos, viúvo, morador em sua Fazenda das Lajes, falecido no dia anterior, aos oitenta e dois anos de idade, tendo recebido todos os sacramentos da Santa Madre Igreja, amortalhado em hábito de São Francisco e sepultado do arco para dentro, com as exéquias encomendadas pelo cura José Antonio Caetano de Mesquita. Do mesmo modo, registra-se que, aos vinte e dois dias do mês de agosto de mil setecentos e noventa e um, recebeu sepultura eclesiástica na Matriz do Seridó Joana Baptista da Encarnação, esposa do Capitão Domingos Alves dos Santos, moradora na Fazenda das Lajes, falecida com todos os sacramentos da Igreja, contando cerca de setenta e tantos anos de idade, tendo sido solenemente encomendada e sepultada das grades para cima, igualmente amortalhada em hábito de São Francisco.

O inventário dos bens deixados pelo Capitão Domingos Alves dos Santos encontra-se arquivado no Primeiro Cartório Judiciário do Caicó, de onde se extraem dados expressivos acerca de seu patrimônio. No rol dos bens de raiz, figuram diversas propriedades rurais, avaliadas segundo os padrões da época. Entre elas, destaca-se o sítio das Lajes, destinado à criação de gado, com duas moradas de casas de vivenda, construídas em taipa e cobertas de telha, além de currais e outras casas de rua, medindo uma légua e meia de comprimento por uma de largura, avaliado em um conto e quatrocentos mil réis.

Constam ainda o sítio denominado Catoriré, igualmente destinado à criação de gado, com casas de vivenda de taipa cobertas de telha, currais e benfeitorias, com três quartos de légua de comprimento por uma de largura, avaliado em setecentos mil réis; o sítio Tutóia, na mesma ribeira, com casas de vivenda, currais e outras benfeitorias, avaliado igualmente em setecentos mil réis; o sítio das Raposas, na ribeira do Caupahã, com uma légua e meia de comprimento por uma de largura, acrescido de uma data de terras denominada Santo José, com três léguas de comprimento, avaliado em um conto e quatrocentos mil réis; o sítio das Verdes, na ribeira do Copahá, com três léguas de comprimento por uma de largura, avaliado em quatrocentos mil réis; e, por fim, o sítio Quinquê, na ribeira de São José do Seridó, com três léguas de comprimento por uma de largura, acrescido de uma data de terras no riacho denominado Luiza, igualmente com três léguas de extensão, dotado de casas de vivenda, currais e demais benfeitorias, avaliado em dois contos e quatrocentos mil réis.

Entre os avaliadores dos bens inventariados figurou o Capitão Sebastião de Medeiros Matos, que grafava seu sobrenome sob a forma “Mideiros”. Consta ainda no inventário a posse de uma morada de casa térrea situada na Vila de Goiana, o que sugere ter Domingos residido naquela localidade antes de se fixar no Seridó. À época do inventário, a oitava de ouro, com peso de 3,589 gramas, valia a quantia de um mil e quatrocentos réis.

Foram igualmente arroladas as alfaias pessoais do inventariado, reveladoras da sobriedade do vestuário então comum entre os sertanejos. Entre tais bens constavam uma casaca, vestia e calções de tecido preto, forrados e guarnecidos, avaliados em doze mil réis; uma casaca e colete com quartos dianteiros do mesmo pano, avaliados em cinco mil réis; um par de meias de seda pretas, avaliado em oitocentos réis; uma cabeleira em bom uso, avaliada em mil réis; e um capote de camelão azul, forrado de baeta da mesma cor, avaliado em cinco mil e quinhentos réis.


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O Padre José Gonçalves Melo atuou como capelão do Oratório do Sabugi por volta de 1790. Era filho do Sargento-Mor Manoel Gonçalves Melo — descrito nos anais da Irmandade do Rosário como um "homem branco, potentado e de sã consciência" — e irmão do também sacerdote, Padre Inácio Gonçalves Melo.

A trajetória do Padre José é marcada por uma persistente tradição oral que narra o motivo de sua partida do Seridó. Segundo a crônica local, o rompimento com o pai teria ocorrido em um domingo, após o Sargento-Mor prolongar excessivamente seu banho matinal nas cacimbas do Rio Sabugi, atrasando-se para a missa. Diante da impaciência dos fiéis e do adiantado da hora, o Padre José celebrou o rito sem a presença do patriarca.

O velho sargento, sentindo-se afrontado em sua autoridade e contrariado por ter de se deslocar sob sol forte até o Caicó para assistir à missa conventual, teria repreendido o filho de forma severa e física. Desgostoso com o ocorrido, o Padre José teria se despedido do irmão com as palavras: — “O que meu pai fez, feito está. Mas, aqui não fico”.

O Padre José faleceu em 1819. Embora seu inventário não registre a idade ou o local exato do óbito, sua história permanece viva como um exemplo das tensões entre a autoridade patriarcal e a clerical no sertão oitocentista.





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