1780-1789

ANTÔNIO PEREIRA DE ARAÚJO  (1781 - 1851) Ele uniu-se pelo matrimônio com MARIA JOSÉ DOS SANTOS MEDEIROS, nome de solteira / 1788 - 1858). Genitor de Isabel Cândida Pereira de Araújo (1819 - 1873) que ao casar-se  com Cipriano Bezerra de Araújo Galvão (1809 - 1899) adotou o nome sobrenome deste.  Genitor também de Ana Marcolina de Jesus,  Pe. Tomaz Pereira de Araújo e outros. Irmão de João Damasceno Pereira de Araújo. E, avô do Cel. Silvino Bezerra de Araújo Galvão e tantos outros.  

 BERALDO DE ARAÚJO PEREIRA (1783 - 1840)  Irmão de Tomaz de Araújo Pereira (Terceiro) e outros.  


Esses relatos individuais se entrelaçam ainda com a necessidade permanente de preservar e esclarecer a memória histórica regional. No caso de Caicó, por exemplo, impõe-se a distinção entre dois marcos frequentemente confundidos. A emancipação política da localidade ocorreu em 31 de julho de 1788, data em que adquiriu autonomia administrativa. 

Já em 16 de dezembro de 1868 deu-se sua elevação de Vila Nova do Príncipe à categoria de Cidade do Príncipe, mudança de status e de nome que, embora relevante, ocorreu oitenta anos após a emancipação. O feriado municipal celebrado em 16 de dezembro, instituído por lei em 2022, refere-se a esse segundo evento, e não ao primeiro. 

A própria toponímia regional guarda vestígios dessas relações históricas: São João do Sabugi, por exemplo, foi durante certo período conhecido como São João do Príncipe, denominação que refletia sua condição de distrito subordinado a Caicó quando esta ostentava o título de Cidade do Príncipe.

  A história de Manoel Antônio de Medeiros, nascido por volta de 1788 e falecido em 24 de maio de 1864, insere-se no complexo e, por vezes, contraditório mosaico genealógico da família Medeiros no Seridó, tecido a partir de documentos fragmentários e de uma tradição oral rica, porém nem sempre convergente com os registros escritos. Filho de Sebastião de Medeiros Rocha e de Maria Leocádia da Conceição, Manoel Antônio pertenceu à primeira união de seu pai, uma vez que Maria Leocádia faleceu em 1800, quando ele ainda era criança. Sebastião de Medeiros Rocha, por sua vez, era filho de Sebastião de Medeiros Matos e de Antônia de Moraes Valcácer e contraiu segundas núpcias com Vitorina Maria da Conceição, mulher nascida por volta de 1781, filha de Cosme Fernandes Freire e Sebastiana Dias de Araújo, sepultada em 7 de março de 1843, aos sessenta e dois anos, na Capela de Santa Luzia, filial de Patos, já viúva e residente, juntamente com o marido, na Fazenda Cachoeira, na Freguesia de Patos.

O óbito de Manoel Antônio de Medeiros encontra-se registrado nos livros da matriz de Santa Luzia do Sabugi, embora o documento esteja deteriorado pela ação do tempo e da água. Nele consta que faleceu aos setenta e seis anos de idade, vítima de “uma dor”, sem ter recebido os sacramentos, sendo sepultado com hábito preto em cerimônia celebrada pelo padre Gil Braz de Maria Santíssima. O registro não menciona seu estado civil, lacuna que contribui para a incerteza quanto à identidade de sua esposa ou esposas, uma das questões mais controversas de sua biografia.

Segundo Olavo de Medeiros Filho, em Velhas Famílias do Seridó, Manoel Antônio teria se casado com duas irmãs, Córdula e Inácia, filhas de João de Moraes Camelo e de Antônia de Moraes Severa, sendo Córdula a primeira esposa e Inácia a segunda. No entanto, a tradição familiar apresenta versões divergentes. Há relatos que atribuem a maternidade de Félix Antônio de Medeiros, um de seus filhos, a Inácia Maria Córdula; outros afirmam que a mãe teria sido Maria de Araújo de Medeiros. Hermes Medeiros Costa, neto de Félix, declarou não se recordar do nome da avó, enquanto sua irmã, Perpétua Medeiros Galvão, sustentou que Félix era filho de Manoel Antônio com Inácia Maria Córdula. Já Severina Farias de Medeiros Lula, também neta de Félix, afirmou que a mãe deste seria Maria de Araújo de Medeiros. A documentação paroquial, contudo, oferece um elemento adicional: um registro de batismo datado de 1849, em Santa Luzia, no qual Manoel Antônio aparece como padrinho ao lado de Maria Inácia de Jesus, identificada como sua esposa, o que sugere que este fosse o nome completo ou uma variação nominal de Inácia.

Manoel Antônio de Medeiros foi pai, ao menos, de Félix Antônio de Medeiros e de Joaquim Fidiel de Medeiros, conhecido como Fidiê. Félix Antônio contraiu matrimônio em novembro de 1857, no lugar Santo Antônio, na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Nova Cruz, com Teresa Duquesa de Faria, em cerimônia presidida pelo vigário Manoel Jácome Bezerra Cavalcante, tendo como testemunhas João Cavalcante da Rocha e Antônio Galdino da Luz. O assento matrimonial não menciona os pais do noivo, circunstância comum à época, mas que contribui para as lacunas documentais. Félix faleceu em 9 de maio de 1900, aos sessenta e oito anos, vítima de inflamação, sendo sepultado no cemitério de Santa Cruz. Não foram localizados seu testamento ou inventário, o que limita a reconstrução mais precisa de sua vida patrimonial e familiar.

Joaquim Fidiel de Medeiros, outro filho de Manoel Antônio, aparece com frequência nos registros paroquiais como padrinho de batismo entre os anos de 1849 e 1855, evidenciando sua inserção social na comunidade local. Em 1894, nos registros civis de Santa Luzia, seu filho José Antônio de Medeiros, havido com Lucinda Bezerra de Almeida, contraiu casamento com Maria Leocádia da Conceição, filha de Francisco Sales de Medeiros e de Maria Joaquina do Sacramento, já sendo pai de três filhos à época da celebração.

Os livros paroquiais de Santa Luzia também revelam a dimensão da estrutura escravista mantida por Manoel Antônio de Medeiros. Diversos filhos de seus escravos — entre eles Claudino, Catarina, José, Joaquina, Joaquim e Maria — foram batizados ao longo das décadas de 1830 a 1850, muitas vezes tendo como padrinhos membros da própria família Medeiros, prática que reforçava vínculos de dependência e proteção típicos do regime escravocrata. Após a morte de Manoel Antônio, observa-se o desmembramento dessa família cativa: Claudiano e Catarina, por exemplo, passam a pertencer a senhores distintos, fato comprovado pelo registro de óbito, em 25 de maio de 1867, de um filho recém-nascido do casal, no qual Claudiano figura como escravo de Joaquim Fidiê e Catarina como escrava de Maria Justina das Mercês, criada por José Antônio de Medeiros. Outros casais de escravos de Manoel Antônio, como José e Joaquina, e Joaquim e Maria, também tiveram filhos batizados entre 1849 e 1858, com registros preservados que testemunham a continuidade dessas famílias sob a condição de cativeiro.

A trajetória de Manoel Antônio de Medeiros, assim delineada, evidencia as dificuldades inerentes à reconstrução genealógica no sertão oitocentista, onde a escassez de testamentos, inventários e registros completos obriga o pesquisador a articular documentos esparsos com a tradição oral. Essas narrativas, embora por vezes divergentes, constituem um patrimônio imaterial de grande valor, permitindo vislumbrar não apenas os laços de sangue, mas também as dinâmicas sociais, econômicas e humanas que moldaram a presença da família Medeiros no Seridó.


 MARIA JOSÉ PEREIRA DE ARAÚJO (1788 - 1858)  foi esposa de Antônio Pereira de Araújo (1781 - 1851). Desse casal, originou-se o clã "Bezerra de Araújo de Galvão", já que ela foi genitora de Izabel Cândida (esposa de Cipriano Bezerra de Araújo Galvão) e progenitora do Cel. Silvino Bezerra de Araújo Galvão.


Sargento-Mor FELIPE DE MOURA E ALBUQUERQUE (f. 1789) A história da família Moura e Albuquerque no sertão do Seridó setecentista, revela-se por meio de 
pesquisas feitas pelo historiador Sérgio Enilton descendente dessa família, que, mais do que simples registros administrativos, constituem verdadeiros testemunhos da ordem social, jurídica e econômica do Seridó colonial. 

Assentos de batismo, matrimônio e óbito, lavrados sob a autoridade da Igreja Católica, bem como o inventário post mortem de Felipe de Moura e Albuquerque, permitem reconstruir, com rigor histórico e método genealógico, a formação de uma linhagem cuja projeção se assentou no dominium da terra, na acumulação de bens móveis e imóveis — bona mobilia et immobilia — e na articulação de alianças familiares estrategicamente consolidadas ao longo do século XVIII.

O Sargento-Mor Felipe de Moura e Albuquerque (f. 1789), natural da freguesia de Santo Amaro de Jaboatão, na capitania de Pernambuco, era filho legítimo de João Bezerra e Afonsa Fernandes, inserindo-se, desde o nascimento, em um universo social marcado pela posse fundiária e pelo exercício da organização administrativa local. 

A sua migração para o sertão potiguar e paraibano acompanha o movimento de interiorização colonial, impulsionado pela concessão de sesmarias e pela expansão da pecuária, atividade que estruturava a economia seridoense e servia de fundamento material ao poder de alguns privilegiados da dita região. 

Entrementes, no Seridó, estabeleceu-se na fazenda Belém, núcleo patrimonial e simbólico da família, onde edificou casas de vivenda, currais, oratório doméstico, espaço sacralizado no qual se celebravam atos religiosos, reafirmando a centralidade da fé católica na vida privada e pública.

Sua esposa, Dona Maria da Puridade Barreto (1718-1802), mulher da terra, nascida no próprio Seridó, era filha de Maria de Almeida (n. 1697), solteira, fato registrado sem disfarces nos livros eclesiásticos e revelador da pluralidade das configurações familiares existentes na sociedade colonial. O pai de Maria de Almeida era o padre Francisco de Barros Bezerra (1693-1764). 

Com a morte de Felipe, coube-lhe a complexa função de inventariante, assumindo a administração do espólio e a declaração formal dos bens, procedimento indispensável à correta aplicação do ius successionis, isto é, do direito sucessório que regulava a transmissão patrimonial entre os herdeiros legítimos. O próprio inventário de Dona Maria, processado em 1802 e arquivado no primeiro cartório da comarca do Acari, confirma sua posição central na gestão da herança familiar.

A descendência do casal compunha-se de dez filhos, cuja existência e vínculos são atestados por certidões emitidas pelo cura do Seridó, padre José António Caetano de Mesquita, e por outros clérigos, cuja palavra, expressa na fórmula solene in fide Parocho, possuía valor jurídico pleno. 

Entre esses herdeiros, destaca-se António de Moura, cujo óbito, ocorrido em abril de 1798, não constava formalmente nos livros paroquiais, mas foi certificado pelo próprio vigário, que declarou ter-lhe ministrado os sacramentos e providenciado seu sepultamento na capela do Acari, suprindo, assim, a lacuna documental para efeitos legais. 

Domingos Bezerra de Moura, por sua vez, assumiria posteriormente o papel de inventariante dos bens maternos, dando continuidade à administração do patrimônio familiar.

Fernando Figueira de Moura nasceu em dezembro de 1775 e foi batizado em fevereiro do ano seguinte na capela de Nossa Senhora da Guia do Acari, tendo como padrinhos João da Maceno e Maria dos Santos, cujos nomes revelam a teia de compadrio que reforçava os laços sociais. 

Joana Bezerra de Moura contraiu matrimônio com Felipe de Moura e Albuquerque, homônimo de seu pai, filho de Manoel Bezerra de Albuquerque e Maria Francisca, união celebrada na própria fazenda Belém mediante dispensa concedida pela Santa Sé Apostólica, indício de consanguinidade e prática recorrente entre famílias coexistentes da localidade, interessadas em preservar o patrimônio intra muros, além da afinidade corriqueira e cultural da intimidade. 

Francisca Xavier de Moura, nascida em dezembro de 1778 e batizada em fevereiro de 1779, teve sua ascendência minuciosamente registrada, com menção explícita aos avós paternos e à avó materna, reforçando a importância da linhagem como capital simbólico.

Já no século XIX, Maria da Puridade Barreto, a filha mais jovem, casou-se, em novembro de 1828, com Manoel Luís da Silva, europeu natural do Porto, filho de José Luís da Silva e Maria Ferreira, união que evidencia a continuidade das conexões atlânticas e a integração da família a redes mais amplas do Império. Seu inventário, aberto em 1830, teve o viúvo como inventariante, seguindo os trâmites legais então vigentes.

O inventário de Felipe de Moura e Albuquerque oferece um panorama eloquente da riqueza acumulada pela família. Avaliado em, no mínimo, 4:084$470 réis, o patrimônio concentrava-se majoritariamente nos bens de raiz, que somavam 3:400$000 réis, distribuídos por extensas fazendas de criar gado, como Belém, Passagem, São José, Timbaúba, Pé da Serra e uma sorte de terras na serra da Timbaúba. 

Algumas dessas propriedades encontravam-se em litígio com o capitão Manoel Pereira de Castro, evidenciando a frequência dos conflitos fundiários e a atuação do aparato jurídico colonial na mediação das disputas pelo domínio territorial.

A pecuária, especialmente a criação cavalar, constituía outro pilar da economia familiar, com um rebanho avaliado em 414$000 réis, composto por cavalos mansos, poldros bravos, bestas parideiras e animais reprodutores. A esse conjunto somava-se um roçado de mandioca na serra do Coité, demonstrando a complementaridade entre agricultura e criação animal. 

Os bens pessoais, notadamente as joias e artefatos de ouro, avaliados em 170$060 réis, e os objetos de prata, no valor de 45$250 réis, funcionavam tanto como reserva de valor quanto como sinais visíveis de prestígio social.

Não menos reveladora é a presença da mão de obra escravizada, reduzida no inventário a dois homens chamados Manoel, um gentio de Angola, septuagenário e com perda de um olho, avaliado em 30$000 réis, e outro crioulo, de cerca de cinquenta anos, sem moléstia, avaliado em 60$000 réis. 

O conjunto documental exposto pelo historiador Sérgio Enilton permite compreender a família Moura e Albuquerque como parte integrante dos pioneiros do lugar, inserida em uma sociedade hierarquizada, na qual títulos militares, como o de sargento-mor atribuído a Felipe de Moura, confundiam-se com status social e autoridade política. 

A Igreja Católica surgia como instituição central, detentora dos registros civis e legitimadora dos atos jurídicos fundamentais, enquanto a posse da terra e a transmissão hereditária constituíam os eixos estruturantes da ordem social.

Desse modo, a trajetória da família Moura e Albuquerque, longe de se reduzir a uma enumeração de nomes e datas, revela-se como expressão concreta das dinâmicas de administração, parentesco e economia que moldaram o sertão do Seridó no século XVIII. 

Portanto, por intermédio de seu inventário e de seu vínculo genealógico, emerge o retrato de um clã que, ancorada no dominium territorial e no ius successionis, atravessou o período colonial deixando marcas duradouras na história regional.




Fidélis Alves dos Santos, por vezes grafado Fidélis Álvares dos Santos, foi morador no sítio Quinquê, em terras herdadas de seu genitor, localizadas no hodierno município de São Vicente, no Rio Grande do Norte. Homem de redação própria e caligrafia primorosa — indícios de que, em sua juventude, frequentara escolas eclesiásticas ou instituições congêneres —, Fidélis viveu sob a prática da poligamia e marcou sua presença na historiografia colonial do Seridó. Em vinte e cinco de novembro de 1789, uniu-se em matrimônio, na fazenda Quinquê, a Antônia da Silva Freire, diletante filha do tenente Miguel da Rocha e de Bárbara Araújo. O sagrado consórcio foi celebrado pelo reverendo coadjutor Manoel de Araújo Corrêa, tendo como testemunhas o sargento-mor Manoel Gonçalves Mello e o capitão Manoel Teixeira da Fonseca.

O destino de Fidélis foi colhido precocemente pelas intempéries climáticas do século XVIII; ele faleceu antes de junho de 1793, provavelmente em Papary, localidade para onde a família se retirara em busca de refúgio contra a devastadora estiagem que assolava o sertão na década de 1790. Seu inventário, instaurado em outubro de 1793 e encerrado em 1795 no escritório do juiz ordinário Antônio da Silva e Souza, na Vila Nova do Príncipe, revela um espólio de parcos recursos e diversas obrigações financeiras, incluindo dívidas contraídas junto ao seu cunhado, o capitão Bartolomeu dos Santos, e ao capitão João Gomes de Mello, na Boa Vista, no Recife, referentes à aquisição de fazendas para o seu enxoval nupcial.

Além de sua descendência legítima, Fidélis deixou um filho natural com a parda Ana Maria e, supostamente, um segundo filho, João Fidélis dos Santos, pertencente à mesma família Alves. Sua viúva, Dona Antônia, contraiu novas núpcias por volta de 1794 com Manoel Alves Pereira. Entre seus herdeiros, registra-se com pesar a figura de Gonçallo, nascido pelos idos de 1790 e falecido em tenra idade, aos três anos e meio, em dezesseis de junho de 1793; o párvulo foi sepultado na freguesia de Nossa Senhora do Ó, em Papary, assistido pelo coadjutor Antônio Caetano do Rego Barros, encerrando assim a breve trajetória do primogênito deste ramo familiar.


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Alexandre de Araújo Pereira, nascido por volta de 1781, foi casado com Joana Manoela da Anunciação, filha de Manoel da Anunciação e Lira e de Ana Filgueira de Jesus, a qual figura no capítulo da descendência de Manoel Carneiro de Freitas sob a referência N 14, tendo falecido no Caicó em 27 de março de 1858, aos setenta e cinco anos de idade, sendo o casal residente no sítio Serrote, no termo do Caicó. O matrimônio realizou-se aos dezoito dias do mês de abril de mil oitocentos e quatorze, ao meio-dia, na Matriz da Gloriosa Senhora Santa Anna do Siridó, após as canônicas admoestações sem impedimento, precedendo confissão e comunhão sacramental, na presença do Sargento-mor Manoel de Medeiros Rocha e do ajudante Rodrigo José de Medeiros, ambos casados e moradores da freguesia, quando se receberam por palavras de presente Alexandre de Araújo Pereira, natural e morador da freguesia do Siridó, filho legítimo de Thomaz de Araújo Pereira, já falecido, e de Dona Thereza de Jesus Maria, e Joana Manoela da Anunciação, natural da freguesia de São João Baptista do Assú e moradora no Siridó, filha legítima de Manoel da Anunciação e Lira, já falecido, e de Dona Anna Filgueira de Jesus, tendo recebido as bênçãos nupciais conforme o rito, conforme assentamento lavrado pelo vigário Francisco de Brito Guerra. Alexandre de Araújo Pereira faleceu aos oito dias do mês de outubro de mil oitocentos e trinta e nove, sendo sepultado acima das grades na Matriz do Siridó, casado que era com Joana Manoela da Anunciação e morador na fazenda Serrote, tendo falecido de moléstias nervinas com os sacramentos, na idade de cinquenta e oito anos, envolto em hábito branco e solenemente encomendado pelo Padre Ignacio Gonçalves Mello, conforme assento firmado pelo vice-vigário Manoel José Fernandes. Sua esposa, Joana Manoela da Anunciação, faleceu aos vinte e oito dias do mês de março de mil oitocentos e cinquenta e oito, sendo sepultada acima das grades na mesma Matriz do Siridó, viúva de Alexandre de Araújo Pereira, falecida de um tumor gangrenado, com os sacramentos da Igreja, na idade de setenta e cinco anos, mais ou menos, envolta em hábito preto e solenemente encomendada pelo vigário Francisco Rafael Fernandes. Do casal houve descendência, entre os quais Manoel, branco, filho legítimo de Alexandre de Araújo Pereira e de Joana Manoela da Anunciação, nascido na Vila do Príncipe aos vinte e nove de maio de mil oitocentos e quinze e batizado aos quatro de junho do mesmo ano na Matriz de Santa Anna do Siridó, tendo por padrinhos, por procuração, o Capitão Thomaz de Araújo Pereira e sua esposa Dona Thereza de Jesus, conforme assento lavrado pelo vigário Francisco de Brito Guerra, e Francisco Galdino de Araújo, filho legítimo do casal, nascido na Vila do Príncipe aos vinte e um de agosto de mil oitocentos e dezessete e batizado aos vinte e cinco do mesmo mês na Igreja Matriz pelo coadjutor Ignacio Gonçalves Mello, tendo como padrinhos o próprio vigário e Dona Thereza Escolástica de Jesus, solteira. Francisco Galdino de Araújo contraiu matrimônio com Ana Catharina da Anunciação, filha de José Carlos de Brito e de Ana Joaquina de Medeiros, em doze de março de mil oitocentos e trinta e quatro, na Matriz do Siridó, após dispensa de sanguinidade e do tempo quaresmal, tendo sido unidos pelo vigário Francisco de Brito Guerra, na presença dos Reverendos Manoel Cassiano da Costa Pereira e Joaquim Álvares da Costa, vindo Ana Catharina a falecer tragicamente aos sete dias do mês de maio de mil oitocentos e quarenta e dois, sendo sepultada acima das grades na Matriz do Siridó, tendo sido envenenada e asfixiada, conforme confessaram os assassinos em juízo, com dezoito anos de idade, envolta em hábito preto e solenemente encomendada pelo vigário proprietário da freguesia, segundo assento firmado pelo vice-vigário Manoel José Fernandes. Outra filha do casal foi Isabel Alexandrina de Araújo, nascida na Vila do Príncipe aos vinte e um de abril de mil oitocentos e dezenove e batizada aos quatorze de junho do mesmo ano na Matriz de Santa Anna do Siridó, tendo por padrinhos o Capitão José Carlos de Brito e Francisca Xavier de Lira, solteiros, vindo Isabel Alexandrina a casar-se aos vinte e quatro dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e trinta e quatro, na mesma Matriz, com Manoel Antônio de Brito, filho legítimo de Simão Gomes de Brito, já falecido, e de Maria Madalena de Medeiros, após dispensa de sanguinidade e demais formalidades canônicas, tendo sido unidos pelo vigário Francisco de Brito Guerra, na presença do Reverendo Joaquim Álvares da Costa e de Antônio Álvares Mariz, moradores da freguesia.


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Beraldo de Araújo Pereira, nascido em 1783, foi filho de Thomaz de Araújo Pereira e de Thereza de Jesus Maria, moradores na freguesia do Siridó, tendo sido batizado aos dez de agosto de mil setecentos e oitenta e três, no oratório do Brejo do Bruxaxá, pelo Padre Domingos da Cunha Figueira, de licença paroquial, com imposição dos santos óleos, sendo padrinhos o Capitão Sebastião Nobre de Almeida e Rosa Maria da Silva, casados, conforme termo assinado por João Feio de Britto Tavares. Contraiu matrimônio em primeiras núpcias com Joana Baptista dos Santos, filha legítima de Fidélis Alves dos Santos, já falecido, e de Antônia da Silva Freire, naturais e moradores da mesma freguesia, casamento celebrado no dia primeiro de setembro de mil oitocentos e sete, na Fazenda do Quinqué, após dispensa no grau de sanguinidade em que se achavam ligados, corridos os banhos, precedendo confissão e comunhão, tendo sido unidos por palavras de presente pelo vigário Francisco de Brito Guerra, na presença, entre outras, do Capitão Thomaz de Araújo Pereira e de Rodrigo José de Medeiros, ambos casados. Joana Baptista dos Santos faleceu aos vinte dias do mês de outubro de mil oitocentos e vinte e sete, no Sítio da Luiza, vítima de parto maligno, com todos os sacramentos, na idade aproximada de trinta a quarenta anos, sendo sepultada na Capela do Acari, filial da Matriz do Siridó, envolta em pano branco e solenemente encomendada pelo Padre Manoel Teixeira da Fonseca, conforme assento lavrado pelo vigário Francisco de Brito Guerra. Enviuvando, Beraldo de Araújo Pereira contraiu segundas núpcias com Delfina Joaquina do Sacramento, viúva de Joaquim de Azevedo Barros, casamento celebrado aos seis dias do mês de maio de mil oitocentos e vinte e nove, na Matriz de Sant’Ana do Siridó, após dispensação de multiplicados parentescos, denúncias canônicas sem impedimento, confissão, comunhão e exame de doutrina cristã, na presença das testemunhas Alexandre de Araújo Pereira e Joaquim de Santa Anna Pereira, ambos casados e moradores na freguesia, residindo o casal no sítio denominado Luiza. Beraldo de Araújo Pereira faleceu aos quatorze dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e quarenta, sendo sepultado na Matriz do Acari, casado que era com Delfina Maria da Conceição, falecendo de picada de cobra, na idade de cinquenta e quatro anos, sem receber os sacramentos, envolto em hábito branco e encomendado pelo vigário Thomaz Pereira de Araújo. Do primeiro casamento houve numerosa descendência, entre os quais Antônia da Silva Freire, casada com Antônio Martins de Medeiros; Fidélis de Araújo Pereira, casado com Maria Clara do Bonfim; Beraldo de Araújo Pereira, nascido em 1816; Luzia, nascida em 1816; Rodrigo, nascido em 1818; outro Beraldo, nascido em 1820; Alexandre, nascido em 1821; e Thomaz, nascido em 1822, todos devidamente batizados na Matriz do Siridó, conforme os respectivos assentamentos paroquiais. Do segundo consórcio com Delfina Joaquina do Sacramento nasceram Josefa, Joaquim, Francisco, Justina, Teresa e José, este último nascido aos vinte e um de fevereiro de mil oitocentos e quarenta, sete dias após o falecimento de seu pai, todos igualmente registrados nos livros paroquiais da freguesia do Siridó.


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Manoel de Araújo Pereira, nascido por volta de 1780, contraiu matrimônio com Maria de Jesus, filha de Manoel Fernandes Pimenta e de Manoela Domelles de Bittencourt, esta última referida no capítulo da descendência de Antônio Fernandes Pimenta, conforme assento lavrado aos dois dias do mês de dezembro de mil oitocentos e cinco, na Matriz do Seridó, em presença das testemunhas Rodrigo de Medeiros Rocha e Antônio Thomaz de Azevedo, ambos casados e moradores na mesma freguesia, tendo sido concedidas as dispensas de consanguinidade e da proibição do tempo do Advento por despacho do Reverendíssimo Senhor Visitador, precedendo confissão e comunhão sacramental, ocasião em que se receberam em matrimônio por palavras de presente Manoel de Araújo Pereira, filho legítimo de João Damasceno Pereira, já falecido, e de Maria dos Santos de Medeiros, natural e morador nesta freguesia, e Maria de Jesus, filha legítima de Manoel Fernandes Pimenta e de Dona Manoela Domelles de Bittencourt, natural desta freguesia e então moradora na do Coité, recebendo ambos as bênçãos nupciais, conforme assento subscrito pelo pároco Francisco de Brito Guerra; Manoel de Araújo Pereira faleceu aos dezenove dias do mês de junho de mil oitocentos e vinte e um, na Capela da Conceição, sendo sepultado o seu cadáver, envolto em branco, após falecer de reumatismo com todos os sacramentos, na idade de quarenta anos, conforme registro lavrado pelo Padre Manoel Teixeira da Fonseca; deste consórcio nasceu Maria do Rosário Angélica, em mil oitocentos e seis, a qual veio a casar-se com André Francisco de Medeiros, filho de Manoel Martins de Medeiros e de Francisca Maria da Conceição, conforme assento datado de três de junho de mil oitocentos e vinte e dois, na Fazenda São Pedro do Seridó, precedendo dispensa de consanguinidade, denunciações sem impedimento, confissão, comunhão e exame de doutrina cristã, tendo o Padre Manoel Teixeira da Fonseca unido em matrimônio os nubentes, ambos naturais e moradores na freguesia, sendo testemunhas Rodrigo de Medeiros Rocha e Caetano Dantas de Azevedo, e Maria do Rosário Angélica fora anteriormente batizada aos doze dias do mês de outubro de mil oitocentos e seis, no sítio São Joaquim, pelo mesmo sacerdote, sendo padrinhos Manoel Fernandes Pimenta e Maria dos Santos, viúva; figuram ainda como descendentes do casal Josefa Maria da Encarnação, consorciada com Marcos de Araújo Pereira, filho de Felipe de Araújo Pereira e de Josefa Maria do Espírito Santo, e Pacífico de Araújo Pereira, casado com Teresa de Jesus Maria, filha do mesmo casal Felipe de Araújo Pereira e Josefa Maria do Espírito Santo.



Vicência Josefa de Vasconcelos contraiu matrimônio com Vicente Ferreira de Melo, filho legítimo de Antônio José Pessoa e de Josefa Maria do Nascimento, conforme assento lavrado aos vinte e sete dias do mês de novembro de mil setecentos e oitenta e oito, na Capela do Acari, pelas dez horas do dia, depois de feitas as denúncias tanto na cidade da Paraíba quanto nesta freguesia, sem que se descobrisse impedimento algum, na presença do padre Manoel Gomes de Azevedo, com licença do celebrante, e das testemunhas Cipriano Lopes Galvão e Antônio Renovato de Sá, ocasião em que se receberam por esposos, segundo o rito tridentino, Vicente Ferreira de Melo, natural da cidade da Paraíba, filho legítimo do tenente Antônio José Pessoa e de sua mulher dona Josefa Maria do Nascimento, com dona Vicência Josefa de Vasconcelos, natural desta freguesia, filha legítima do tenente-coronel Antônio Garcia de Sá Barroso e de sua esposa dona Ana Lins de Vasconcelos, recebendo ambos as bênçãos nupciais na forma do rito da Santa Madre Igreja, conforme termo assinado pelo cura José Antônio Caetano de Mesquita. Vicente Ferreira de Melo era conhecido pelo apelido popular de “Vicente Espiga”. Do tronco familiar destaca-se Maria do Carmo de Vasconcelos, que em primeiras núpcias foi casada com Francisco Vieira da Costa, descendente de Pedro Ferreira das Neves e filho do casal Francisco Freire de Medeiros e Antônia Vieira da Costa, e, em segundas núpcias, contraiu matrimônio com Francisco Corrêa d’Ávila, igualmente descendente de Pedro Ferreira das Neves, filho de Gonçalo Correia da Silva e de Isabel Maria de Jesus, compondo-se, assim, mais um elo significativo das extensas alianças familiares que estruturaram a sociedade sertaneja do Seridó entre os séculos XVIII e XIX.


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Ana Maria do Nascimento foi casada com Pedro Marques de Souza, filho legítimo de João de Souza Marques e de Josefa Maria. O matrimônio celebrou-se aos vinte e oito dias do mês de agosto do ano de mil setecentos e oitenta e oito, pelas onze horas da manhã, depois de feitas as denúncias canônicas sem que se descobrisse qualquer impedimento. O ato realizou-se em minha presença e na das testemunhas Fidélis de Souza e José Luiz da Conceição, tendo os nubentes se recebido em casamento por palavras de presente, segundo o rito tridentino. O noivo, Pedro Marques de Souza, era filho do Tenente João de Souza Marques e de sua esposa Josefa Maria, e a noiva, Dona Ana Maria do Nascimento, filha do Capitão José de Moraes Valcácer e de Dona Helena do Rosário, já falecida, sendo ambos moradores desta freguesia. Concedi-lhes, por fim, as bênçãos nupciais na forma prescrita pelo rito da Santa Madre Igreja.


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Francisca do Carmo contraiu matrimônio com Antônio Marques de Souza, filho legítimo do Tenente João de Souza Marques e de sua esposa Josefa Maria. O casamento realizou-se aos vinte e oito dias do mês de agosto do ano de mil setecentos e oitenta e oito, pelas onze horas da manhã, após as denúncias canônicas de praxe, sem que se apurasse qualquer impedimento. Estiveram presentes como testemunhas o Tenente João de Araújo e Manoel Marques de Souza, tendo os nubentes se recebido em matrimônio por palavras de presente, segundo o rito tridentino. O noivo, Antônio Marques de Souza, era filho do Tenente João de Souza Marques e de Dona Josefa Maria, e a noiva, Dona Francisca do Carmo, filha do Capitão José de Morais Valcácer e de Dona Helena do Rosário, já falecida, sendo ambos moradores desta freguesia. Concederam-se, ao final, as bênçãos nupciais na forma do rito da Santa Madre Igreja.


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Helena do Rosário contraiu matrimônio com Hipólito de Souza Marques, filho legítimo do Tenente João de Souza Marques e de sua esposa Josefa Maria. O enlace realizou-se aos vinte e oito dias do mês de agosto do ano de mil setecentos e oitenta e oito, pelas onze horas da manhã, depois de feitas as denúncias canônicas, sem que se apurasse qualquer impedimento. Estiveram presentes como testemunhas Sebastião de Medeiros Rocha e Serafim de Souza. Os nubentes receberam-se em matrimônio por palavras de presente, sendo o noivo, Hipólito de Souza Marques, filho do Tenente João de Souza Marques e de Dona Josefa Maria, e a noiva, Dona Helena do Rosário, filha do Capitão José de Morais Valcácer e de Dona Helena do Rosário, já falecida, todos moradores nesta freguesia. Ao final, foram-lhes concedidas as bênçãos nupciais, segundo o rito da Santa Madre Igreja.



ANTÔNIA MARIA DA CONCEIÇÃO nasceu por volta de 1781 e faleceu em 14 de fevereiro de 1817. Foi casada com Manoel Salvador de Vasconcelos. Seu óbito ocorreu em consequência de moléstia de parto, quando contava cerca de trinta e cinco anos de idade.

Conforme o registro paroquial, aos quatorze dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e dezessete, na Capela de Nossa Senhora da Conceição, filial da matriz, deu-se sepultura ao cadáver de Antônia Maria da Conceição, casada com Manoel Salvador de Vasconcelos. A falecida recebeu todos os sacramentos da Santa Madre Igreja, foi amortalhada em burel e sepultada das grades para dentro do templo, tendo sido o ato fúnebre encomendado pelo Padre Manoel Teixeira da Fonseca, com a devida lavratura do assento correspondente.


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ANTÔNIO DE AZEVEDO MAIA, nascido por volta de 1785, foi casado com Úrsula Leite de Oliveira, filha legítima de José Leite de Oliveira e de Maria Pereira de Almeida. Era conhecido pela alcunha de “Antônio Padre”, em razão de haver exercido a função de vaqueiro do padre Cosme Leite de Oliveira, seu cunhado, irmão de Úrsula.

Segundo a tradição familiar e conforme registra Sebastião de Azevedo Bastos, em No Roteiro dos Azevedo e Outras Famílias do Nordeste, Úrsula Leite de Oliveira era tida como mulher instruída e de notável beleza para os padrões de seu tempo. Natural do vale do Jaguaribe, no então território da Capitania do Ceará, nasceu em 1790. O casal contraiu matrimônio, ao que tudo indica, na região do Jaguaribe, por volta dos anos de 1812 ou 1813.

Ainda conforme as fontes genealógicas, o último filho de Úrsula nasceu em 1840, quando ela já contava cinquenta anos de idade, fato que evidencia uma longa vida reprodutiva. Antônio de Azevedo Maia veio a falecer em Jardim do Seridó no dia 18 de setembro de 1866, com oitenta e um anos de idade, encerrando ali a trajetória de um personagem amplamente referido na tradição oral e nos registros familiares do Seridó.


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JOSEFA MARIA, nascida por volta de 1788, era filha legítima de Antônio de Azevedo Maia e de Micaéla Dantas Pereira, esta já falecida à época do seu casamento. Contraiu matrimônio com João Marques de Macedo, natural da freguesia de Mamanguape, filho legítimo de Manoel Carlos de Macedo e de Teresa Gomes de Jesus. João Marques era viúvo de Anna Maria de Jesus, sepultada na freguesia do Seridó, na Capela do Acari.

O casamento realizou-se aos nove dias do mês de junho de 1804, pelas dez horas da manhã, na Fazenda da Conceição, freguesia do Seridó. A cerimônia foi celebrada pelo padre Antônio de Mello Barboza, com a devida licença, após cumpridas as diligências canônicas do estilo, sem que se verificasse impedimento algum, tendo precedido a confissão e a comunhão sacramental dos nubentes. Foram testemunhas do ato, entre outros, José de Azevedo Maia e Manoel Carlos de Macedo, que juntamente com o celebrante assinaram o respectivo assento matrimonial.


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