1770-1779
Francisco de Brito Guerra nasceu em 1777 na Fazenda Jatobá, no município de Campo Grande, Rio Grande do Norte, filho de Ana Filgueira de Jesus e de Manuel da Anunciação Lira, e faleceu no Rio de Janeiro em 26 de fevereiro de 1845. Proveniente de uma família de notáveis influências, era tio do padre Manuel José Fernandes e de Manuel Lúcio de Brito Guerra, ambos deputados provinciais, bem como de Luís Gonzaga de Brito Guerra, o Barão de Açu, bacharel em Direito e ministro do Supremo Tribunal de Justiça.
Seus primeiros estudos tiveram início em Açu, cidade para a qual sua família se transferira, sob a orientação do padre Luís Pimenta de Santana. Posteriormente, seu pai, que exercia a função de passador de gado, mudou-se com a família para o povoado de Pasmado, atual Abreu e Lima, nas proximidades de Igaraçu, em Pernambuco. Nesse local, Francisco ficou sob os cuidados do professor Manuel Antônio, conhecido em toda a região como “doutor”. Foi nesse período que seu pai faleceu, deixando a esposa grávida e nove filhos em situação de grande dificuldade econômica.
Francisco de Brito Guerra integrou a primeira turma de formandos do Seminário de Olinda, onde cultivou amizade com o bispo local e aprofundou sua formação eclesiástica. Ordenado sacerdote no final de 1801, foi, em seguida, nomeado pároco encomendado de Caicó, tomando posse da freguesia no primeiro domingo do Advento de 1802. A partir de então, passou a residir com sua mãe e irmãs no imponente sobrado que mandou construir entre 1810 e 1811. A edificação, de arquitetura inovadora para a época, tornou-se um marco na história construtiva do Seridó e fomentou o desenvolvimento urbano de Caicó. Durante muitos anos, funcionou no local uma prestigiada Escola de Latim, refletindo a erudição de Brito Guerra, notável latinista, enquanto hoje abriga a Casa de Cultura local.
O sobrado recebeu diversas personalidades históricas, entre elas Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, o Frei Caneca, que se abrigou em Caicó em 1824, fugindo das tropas realistas durante a Confederação do Equador. Em seu testamento, datado de 20 de novembro de 1844, o padre revelou que, “por fragilidade humana”, tivera dez filhos, provenientes de relações diversas, todos formalmente reconhecidos como herdeiros. Entre eles destacam-se Manoel Daniel, já falecido, pai de um homônimo, Izabel, Theodora, Alexandrina, Jacinto e Francisco.
Além de sua relevância eclesiástica, Francisco de Brito Guerra destacou-se na política provincial e imperial. Foi deputado-geral entre 1831 e 1833 e, a partir de 1837, senador vitalício do Império. Em 2 de fevereiro de 1835, instalou e presidiu a recém-criada Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, em um contexto de grande instabilidade política após a Independência. Participou também da resolução da disputa territorial entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba sobre a posse do Seridó, cuja definição ficou estabelecida pela Lei de 25 de outubro de 1831 e ratificada em 1835 após intensos debates, garantindo que a região pertencesse ao Rio Grande do Norte.
Reconhecido por seu carisma, senso de responsabilidade e compromisso com o progresso da região, Brito Guerra defendia a construção de açudes para represamento das águas, resumindo sua visão em sua célebre frase: “Esta região somente será feliz no dia em que as águas dos seus rios não chegarem aos oceanos.” Hoje, a casa em que viveu permanece como um símbolo histórico e cultural, preservada como Casa de Cultura, testemunho da memória de um homem que marcou de forma indelével a história do Seridó potiguar e do Rio Grande do Norte.
Joaquim de Araújo Pereira, nascido por volta do ano de mil setecentos e setenta e quatro, contraiu matrimônio em primeiras núpcias com Josefa Freire de Medeiros, identificada sob a referência TN 126 no capítulo da descendência de Pedro Ferreira das Neves, filha de Antônio Tavares dos Santos e de Rita Maria da Conceição, vindo posteriormente a casar-se, em segundas núpcias, com Maria dos Santos Silva, filha, segundo os registros formais, do casal Antônio da Silva e Souza e Teresa Maria Rocha, embora a tradição familiar informe que Maria dos Santos Silva teria sido, na realidade, filha natural de Tomaz de Araújo Pereira, que a teria gerado em Teresa Maria Rocha quando esta ainda era solteira, circunstância que teria levado, ao ser constatado o estado de gravidez, ao casamento de Teresa Maria Rocha com o português Antônio da Silva e Souza, já então viúvo de Dona Adriana de Holanda e Vasconcelos, em vinte e quatro de junho de mil setecentos e noventa e quatro, tendo a criança nascido no mesmo ano ou no início do seguinte e sido batizada sob a paternidade legal de Antônio da Silva e Souza. Teresa Maria Rocha era filha do português Antônio da Rocha Gama, conhecido como “marinheiro” Gama, natural de Torre de Moncorvo, na região de Trás-os-Montes, e de Isabel Maria de Jesus, natural do Seridó, sendo sabido que o referido Antônio da Rocha Gama residiu em uma casa construída à margem do Poço de Santana, no Caicó, imóvel que ficou posteriormente conhecido como a casa de Zé do Padre. Em razão dessa filiação atribuída pela tradição, Joaquim de Araújo Pereira era tio consanguíneo de sua segunda esposa, sendo o casamento com Maria dos Santos Silva articulado pelo próprio Tomaz de Araújo Pereira. Joaquim de Araújo foi coproprietário da fazenda Timbaúba, então integrante do território do Caicó e que viria a constituir a atual cidade de Timbaúba dos Batistas, no Rio Grande do Norte, propriedade adquirida por compra no ano de mil oitocentos e dezoito, constando ainda que, em citação datada de mil oitocentos e oito, residia na fazenda Santa Maria, igualmente situada no Caicó. No histórico relativo à TN 126 do capítulo da descendência de Pedro Ferreira das Neves já se encontram consignados os termos de falecimento de Josefa Freire de Vasconcelos e de Joaquim de Araújo Pereira. Maria dos Santos Silva, segunda esposa de Joaquim, é descrita como mulher de tez clara, olhos azuis e temperamento dominador, tendo exercido notável influência política, a ponto de, após a derrota eleitoral de seu filho Joaquim Pereira de Araújo, conhecido por Quincoló, em pleito ocorrido no Acari, deslocar-se à Corte imperial, onde obteve do próprio Imperador Dom Pedro II a anulação da eleição, logrando, em novo pleito, expressiva e esmagadora maioria em favor do filho. Embora Joaquim de Araújo seguisse determinada orientação partidária, Maria dos Santos Silva alinhava-se ao campo político oposto, sendo descrita pelo Padre Antenor Salvino de Araújo, vigário da Freguesia de Santana do Caicó e descendente do segundo casamento de Joaquim, como mulher varonil, dotada de grande prestígio político, independente da posição do marido, afirmando-se que interferia diretamente em questões de justiça local, promovendo solturas de presos, dando solução a casos criminais, portando habitualmente um punhal, exercendo autoridade de forma calma e resoluta, declarando não necessitar do prestígio do esposo, embora o casal fosse considerado harmonioso, possuindo numerosa escravaria, entre a qual se destacavam escravas fiéis chamadas Catarina e Teresa, havendo ainda o relato de que, certa vez, por divergência de opinião, deslocou-se a cavalo até as proximidades de Caicó vestida apenas com camisola de dormir, sendo também lembrada como a primeira senhora a receber do Imperador o título de Dona, em reconhecimento aos feitos de um de seus filhos na Guerra do Paraguai. Relatou ainda Hermógenes Batista de Araújo que, tendo Joaquim de Araújo Pereira mandado construir uma nova casa na Timbaúba para residência do casal, Maria dos Santos Silva recusou-se definitivamente a mudar-se para o novo imóvel, por haver discordado da localização escolhida, antes mesmo do início das obras, passando, assim, cada cônjuge a residir em sua própria casa. O casamento de Joaquim de Araújo Pereira com Maria dos Santos Silva foi celebrado aos quatorze dias do mês de abril do ano de mil oitocentos e vinte e três, pelas nove horas da manhã, na Igreja Matriz da Freguesia, quando o Padre Manuel da Silva e Souza, com a devida licença, os uniu em matrimônio e lhes concedeu as bênçãos nupciais, sendo Joaquim então viúvo de Josefa Maria de Vasconcelos e Maria dos Santos Silva filha legítima, conforme o assento, do Coronel Antônio da Silva e Souza, já falecido, e de Teresa Maria da Rocha, ambos declarados naturais da freguesia, tendo servido como testemunhas Tomaz de Araújo Pereira e Inácio Lopes Cavalcante Lima, precedendo o ato matrimonial as denúncias canônicas sem impedimento, bem como a confissão, a comunhão sacramental e o exame da doutrina cristã, conforme o rito então observado.
-------------------------
Rosa Maria José, nascida por volta de 1770, era natural da freguesia do Rio Grande de São Gonçalo e filha legítima de José de Araújo Pereira e de Dona Elena Barbosa de Albuquerque. Contraiu matrimônio com João José de Castro, natural da Paraíba, freguesia de Nossa Senhora das Neves, filho legítimo de João de Castro Corrêa e de Dona Isabel Souto Mayor, em dez dias do mês de fevereiro do ano de mil setecentos e noventa, na Fazenda dos Picos de Baixo, da freguesia do Seridó, pelas onze horas do dia, pouco mais ou menos, após realizadas as diligências canônicas necessárias, sem que se apurasse impedimento algum, em presença do Reverendo Manoel Gomes de Azevedo e das testemunhas o Capitão Comandante Manoel de Souza Forte e João Inácio Souto Mayor, moradores da mesma freguesia, tendo os nubentes recebido as bênçãos nupciais segundo o rito da Santa Madre Igreja, conforme assento lavrado pelo Cura José Antônio Caetano de Mesquita. Rosa Maria José faleceu aos dois dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e dois, na Fazenda Pascoal, em consequência de parto, sem ter recebido os sacramentos, contando cerca de trinta e um anos de idade, sendo então casada com João José de Castro Corrêa; seu cadáver, involto em hábito branco de morim, foi encomendado pelo Reverendo José Antônio Caetano de Mesquita, de licença do vigário, e sepultado no corpo da Igreja Matriz aos três dias do mesmo mês e ano, conforme assento firmado pelo Pro-Paróco Fabrício da Porciúncula Gameiro. No mesmo dia e ano do falecimento de Rosa Maria José, faleceu também um recém-nascido, anônimo, seu filho, cujo corpo, igualmente envolto em hábito branco de morim, foi encomendado pelo mesmo reverendo sacerdote e sepultado na mesma sepultura de sua mãe, aos três dias do referido mês. João José de Castro, viúvo, faleceu posteriormente aos doze dias do mês de agosto de mil oitocentos e dezenove, aos setenta anos de idade, de paralisia, com todos os sacramentos, na Fazenda Santa Bárbara, desta freguesia, sendo seu cadáver involto em mortalha branca e sepultado na Igreja Matriz, conforme assento lavrado pelo Vigário Francisco de Brito Guerra.
----------------------------
Silvestre José Dantas Corrêa, nascido por volta de 1771, foi casado com Margarida Maria de Jesus, igualmente nascida por 1771, filha de João Damasceno Pereira e de Maria dos Santos de Medeiros. Silvestre faleceu em 19 de dezembro de 1846, com setenta e cinco anos de idade, vitimado por moléstia maligna, tendo recebido todos os sacramentos, sendo sepultado nesta matriz, de grades acima, envolto em hábito branco, conforme assento lavrado pelo vigário Thomás Pereira de Araújo. Margarida Maria de Jesus, sua esposa, faleceu em 16 de novembro de 1848, aos setenta e sete anos de idade, em consequência de uma queda, também com os sacramentos, sendo igualmente sepultada nesta matriz, de grades acima, segundo registro do mesmo vigário.
O casal residiu em sua fazenda Cachoeira da Cruz, localizada no atual município de Carnaúba dos Dantas, no Rio Grande do Norte. Segundo a tradição local, a denominação da propriedade decorre da existência de três cruzes gravadas na rocha, visíveis apenas no período de estiagem, quando as águas da cachoeira baixam. Ainda subsistem no local os escombros da antiga casa de morada de Silvestre Dantas. A Cachoeira da Cruz integrava a antiga fazenda do Riacho Fundo. Silvestre habitou também a fazenda Pedra d’Água do Azedo, situada no Picuí, na Paraíba.
Dessa união nasceram vários filhos. Entre eles, José Joaquim Dantas, conhecido como Zuza da Cachoeira da Cruz, nascido em 1803, que se casou com Ana Rita da Conceição, filha de João Garcia do Amaral e de Maria Rosa da Conceição. José Joaquim ganhou notoriedade histórica ao integrar a expedição seridoense que combateu o caudilho Pinto Madeira, em 1832, sendo citado por Manoel Dantas, em Homens de Outrora, como um dos combatentes mais temidos da refrega.
Outro filho foi Pedro Celestino Dantas, que contraiu matrimônio entre maio e julho de 1835 com Rita Miquilina de Santana, filha do capitão-mor Bartolomeu da Costa Pereira. Rita faleceu em 10 de setembro de 1840, aos vinte anos de idade, em decorrência de parto, poucos dias após o nascimento de seu filho José Calazâncio Dantas. Pedro Celestino, que mancava de uma perna em razão de um ferimento à bala sofrido numa emboscada, faleceu por volta de 1898, com cerca de noventa anos, durante uma viagem ao Picuí. Enviuvando, casou-se com Ana Isabel de Santana, tendo o casal residido em Areia e na fazenda Pedra do Sino, no atual município de Caicó.
Silvestre José Dantas Corrêa e Margarida Maria de Jesus foram ainda pais de Antônio Dantas Corrêa, casado com Josefa Maria de Jesus; de João Damasceno Pereira, casado com Angélica Maria de Jesus; de Manoel do Nascimento Dantas, residente no Picuí, vítima de assassinato; de Maria Renovata de Medeiros, casada com Pedro Paulo de Medeiros; de Maria Francisca da Conceição, casada com Amaro José Ferreira; de Ana Rosa da Conceição, casada com Antônio Garcia do Amaral; e de Josefa de Araújo Pereira, casada com Luís Gonzaga da Fonseca, entre outros descendentes que se espalharam pelo Seridó, Paraíba e regiões adjacentes, consolidando a presença da família Dantas Corrêa na história regional.
-----
Gregório José Dantas Corrêa, nascido por volta do ano de 1777, contraiu matrimônio com Teresa de Jesus Maria, classificada no capítulo relativo à descendência de Pedro Ferreira das Neves sob a referência TN 25, filha de Antônio de Medeiros Rocha e de Maria da Purificação. O casal estabeleceu residência na fazenda Picos de Cima, no termo do Acari, onde constituiu numerosa descendência, amplamente documentada nos registros paroquiais da freguesia do Siridó.
A primeira filha do casal, Maria, nasceu aos sete dias do mês de abril de mil oitocentos e quatro e foi batizada por Francisco de Brito Guerra aos doze do mesmo mês e ano, em casa, recebendo no mesmo ato os santos óleos. Foram padrinhos Antônio Dantas Corrêa e Dona Maximiana Dantas Pereira, tios da batizada. A criança faleceu com tenra idade, sendo sepultada aos vinte e sete dias do mês de maio de mil oitocentos e quatro, na Capela do Acari, envolta em mortalha de seda amarela, contando apenas três meses incompletos de vida, tendo sido encomendada pelo Padre José Antônio Caetano de Mesquita, conforme assento lavrado pelo vigário Francisco de Brito Guerra.
O segundo filho, Manoel, nasceu aos vinte e cinco dias do mês de abril de mil oitocentos e cinco e foi batizado aos seis de junho do mesmo ano, com os santos óleos, pelo Padre José Antônio Caetano de Mesquita, de licença paroquial. Foram padrinhos Alexandre José Dantas, solteiro, e Dona Ana Dantas, esposa de Antônio Thomaz de Azevedo.
Félix Lúcio Dantas, outro filho do casal, contraiu matrimônio aos onze dias do mês de janeiro de mil oitocentos e vinte e nove, pelas nove horas da manhã, na Fazenda Jardim, freguesia do Siridó, com Ângela Dorneles de Medeiros, natural daquela freguesia e moradora na dos Patos, filha legítima de Francisco José de Medeiros e de Maria Madalena da Conceição. O enlace foi precedido de dispensa de consanguinidade, confissão, comunhão e exame de doutrina cristã, estando prontos os banhos, e realizou-se na presença das testemunhas Antônio de Medeiros Rocha Júnior, casado, e Manoel de Medeiros Dantas, solteiro. Ângela Dorneles de Medeiros faleceu aos doze dias do mês de outubro de mil oitocentos e trinta e seis, sendo sepultada de grades abaixo na Matriz dos Patos, com vinte e nove anos de idade, envolta em hábito branco e encomendada pelo vigário Jerônimo Emiliano Rangel, conforme assento lavrado pelo vigário Thomaz Pereira de Araújo.
Outra filha chamada Maria faleceu ainda na infância, sendo sepultada aos trinta dias do mês de dezembro de mil oitocentos e treze, na Capela do Acari, filial da Matriz do Siridó, envolta em seda amarela e encomendada pelo Padre André Vieira de Medeiros.
Joaquim Félix Dantas casou-se aos vinte e dois dias do mês de outubro de mil oitocentos e trinta e dois, pelas onze horas do dia, na Fazenda Flores, freguesia do Siridó, com Ana Violante da Silva, naturais e moradores da mesma freguesia, sendo ele filho legítimo de Gregório José Dantas e de Teresa de Jesus Maria, e ela filha legítima de Alexandre José Dantas e de Joana Francisca de São José, já falecida à época. O matrimônio foi celebrado após dispensa de consanguinidade, canônicas denúncias sem impedimento, confissão, comunhão e exame de doutrina cristã, tendo sido testemunhas José Dantas da Silva e José Felisberto de Medeiros, ambos casados.
Josefa Maria da Purificação, nascida por volta de mil oitocentos e três, contraiu matrimônio com Sebastião de Medeiros Dantas, classificado sob a referência TN 75 da descendência de Pedro Ferreira das Neves, filho de João Crisóstomo de Medeiros e de Francisca Xavier Dantas.
José, filho de Gregório José Dantas e de Teresa de Jesus Maria, nasceu aos vinte e cinco dias do mês de março de mil oitocentos e quatorze e foi batizado aos nove dias do mês de maio do mesmo ano, na Fazenda dos Picos de Cima, pelo Padre André Vieira de Medeiros, que lhe administrou os santos óleos. Foram padrinhos Frei Januário de São José e Isabel Justa Rufina, casada.
Antônio Dantas de Medeiros contraiu matrimônio aos vinte e oito dias do mês de maio de mil oitocentos e trinta e quatro, pelas dez horas do dia, na Fazenda Jardim, freguesia do Siridó, com Joana Senhorinha da Conceição, naturais e moradores da mesma freguesia, sendo ele filho legítimo de Gregório José Dantas e de Teresa de Jesus Maria, e ela filha legítima de Antônio do Rego Toscano e de Joana Maria da Conceição. O casamento foi precedido de dispensa de consanguinidade, canônicas denúncias sem impedimento, confissão, comunhão e exame de doutrina cristã, tendo sido testemunhas Sebastião de Medeiros Dantas e Joaquim José de Azevedo, ambos casados.
Francisco, outro filho do casal, foi batizado em perigo de vida por sua avó e recebeu posteriormente os santos óleos administrados pelo vigário Francisco de Brito Guerra aos vinte e cinco dias do mês de maio de mil oitocentos e dezessete, conforme assento lavrado na Matriz do Siridó.
Ana nasceu aos dezesseis dias do mês de agosto de mil oitocentos e vinte e foi batizada aos vinte e dois do mesmo mês e ano, na Fazenda Cajueiro, pelo vigário Francisco de Brito Guerra, tendo como padrinhos Francisco Álvares da Nóbrega, por procuração apresentada por Manoel Antônio Dantas Corrêa, e Joaquina Senhorinha da Conceição, casados.
Francisco, filho legítimo de Gregório José Dantas e de Teresa de Jesus Maria, nasceu aos vinte e sete dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte e um e foi batizado aos vinte e um de dezembro do mesmo ano, na Capela da Conceição, filial da Matriz do Siridó, pelo Padre Manoel Teixeira da Fonseca, de licença paroquial. Foram padrinhos Manoel José Fernandes, por procuração apresentada por Joaquim Manoel Dantas, e Ana Constância de Medeiros, por procuração apresentada por Joana Francisca de São José.
Por fim, Francisca, filha legítima de Gregório José Dantas e de Teresa de Jesus Maria, nasceu aos vinte e quatro dias do mês de março de mil oitocentos e vinte e sete e foi batizada aos vinte e seis do mesmo mês, na Fazenda Picos, pelo Padre Manoel Teixeira da Fonseca, que lhe administrou os santos óleos. Foram padrinhos o Capitão Antônio Álvares Mariz, casado, por seu procurador Manoel Antônio Dantas, e Maria José da Anunciação, moradores na freguesia do Siridó.
--------------------------------
Alexandre José Dantas Corrêa nasceu entre os anos de 1772 e 1775 e ficou conhecido no seio familiar pelo apelido de “O Velho Azeite”. Casou-se com sua sobrinha Joana Francisca de São José, filha de Francisco Gomes da Silva e de Maria Joaquina dos Santos, a quem raptou antes do matrimônio, conforme registra a tradição. Joana figura neste capítulo sob a classificação BN 146. O casal estabeleceu residência na fazenda Ermo, situada em território que atualmente integra o município de Carnaúba dos Dantas, no Seridó potiguar.
Dessa união nasceu Maria Rosalina da Silva, que veio ao mundo em 13 de abril de 1818, sendo batizada em 26 do mesmo mês na Fazenda das Flores, por licença do vigário, pelo Padre André Vieira de Medeiros. Casou-se com José de Azevedo Maia, filho de José de Azevedo Maia e de Tomázia Maria da Conceição. Outra filha do casal foi Ana Violante da Silva, que contraiu matrimônio com Joaquim Félix Dantas, filho de Gregório José Dantas e de Teresa de Jesus Maria. O casamento realizou-se em 22 de outubro de 1832, na Fazenda Flores, precedido das dispensas canônicas necessárias.
Alexandre José Dantas Corrêa foi também pai de Margarida Senhorinha de Jesus, casada com Joaquim Francisco Dantas, filho legítimo de Caetano Dantas Corrêa e Maria Pais do Nascimento. Outra descendente foi Isabel Constância das Mercês, nascida em 25 de setembro de 1830, batizada em perigo de vida, filha legítima de Alexandre José Dantas e de Joana Francisca de São José, tendo posteriormente se casado com André Vieira de Medeiros, filho de Caetano Dantas de Medeiros e de Ana Joaquina de Jesus.
Além dos filhos havidos no casamento, Alexandre foi pai, quando solteiro, de uma filha natural, Josefa Maria do Bonfim, cuja mãe chamava-se Luzia Rodrigues. Josefa Maria do Bonfim casou-se em 11 de janeiro de 1828 com José Dias da Silva, natural da freguesia do Siridó, filho legítimo de Dionísio Francisco do Sacramento e de Manoela Francisca, já falecidos. O matrimônio foi celebrado na Capela do Acari, com dispensa dos banhos por urgência, precedendo confissão, comunhão sacramental e exame de doutrina cristã, conforme assento lavrado à época.
A descendência de Alexandre José Dantas Corrêa consolidou-se, assim, em importantes ramos familiares do Seridó e de áreas vizinhas, perpetuando vínculos históricos, sociais e genealógicos que marcaram profundamente a formação das famílias tradicionais da região.
-------------------------------
Alexandre Rates de Siqueira, também referido nas fontes como Alexandre Rodrigues da Cruz de Castro ou ainda Alexandre José da Cruz, contraiu matrimônio com Maria José Joaquina de Melo, filha legítima de Antônio Teixeira da Costa e de Teresa Antônia de Jesus, ou de Melo, conforme variação registrada nos documentos. O casamento realizou-se aos quatro dias do mês de agosto de mil setecentos e setenta e oito, após a publicação dos banhos de suas naturalidades e sem que houvesse impedimento algum até então, tendo sido celebrado na matriz da cidade, na presença do celebrante e das testemunhas que assinaram o assento, entre as quais o tenente-coronel Francisco Machado do Rego Barros e o tenente Manoel do Rego Freyre de Mendonça, todos naturais da freguesia, depois de examinados na santa doutrina e ouvidos em confissão. Uniram-se, assim, com palavras de presentes, Alexandre José da Cruz, filho legítimo do capitão Francisco Cardozo dos Santos e de sua mulher dona Teresa Lins de Vasconcelos, com Maria José Joaquina, filha legítima do cabo de esquadra Antônio Teixeira e de sua mulher Teresa Antônia de Melo, natural da cidade do Natal, recebendo logo a bênção nupcial segundo o Ritual Romano, tendo o termo sido lavrado e assinado pelo coadjutor, por ausência do reverendo vigário Bonifácio da Boa Vista. Alexandre faleceu viúvo aos vinte e quatro dias do mês de janeiro de mil oitocentos e quarenta e sete, sendo sepultado em Currais Novos, conforme assento que o descreve como Alexandre Rates, falecido de velhice, sem os sacramentos, com cerca de cem anos de idade, envolto em hábito branco e solenemente encomendado pelo padre Joaquim Galvão de Medeiros, termo lavrado e assinado pelo vigário Thomás Pereira de Araújo. Do casamento nasceu, entre outros descendentes, Francisca, registrada como filha legítima de Alexandre Rodrigues da Cruz de Castro, natural da freguesia de Santa Anna do Caicó, e de Maria José Joaquina de Melo, natural da mesma freguesia, neta, pelo lado paterno, de Francisco Cardozo dos Santos, natural das partes da Europa, e de dona Teresa Lins de Vasconcelos, natural da freguesia do Caicó, e, pelo lado materno, de Antônio Teixeira da Costa e de Teresa Antônia de Jesus, naturais daquela freguesia, tendo Francisca nascido aos onze dias do mês de maio de mil setecentos e oitenta e sete e sido batizada com os santos óleos na matriz aos treze dias do mesmo mês e ano, sendo padrinhos Joaquim José de Andrade e Helena Hipólita Caciana da Costa, ambos solteiros, conforme consta do respectivo assento baptismal.
--------------------------------
Manoel Pereira Monteiro, o terceiro do nome, nascido por volta de 1771, contraiu matrimônio com dona Maria de Jesus José da Rocha, nascida por volta de 1785, filha do capitão Bernardo de Carvalho Morais, natural de Lisboa, e de dona Isabel Rita Caetana da Silveira, ambos coproprietários do Engenho do Ramo, situado na freguesia de Pau d’Alho, em Pernambuco. Do arquivo paroquial de Santana, no Caicó, colhe-se o assento de sepultamento de Maria de Jesus José da Rocha, moradora da fazenda Dinamarca, em Serra Negra do Norte, no qual se registra que, aos quinze dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e cinquenta e quatro, foi sepultado, acima das grades, na Capela de Nossa Senhora do Ó da Serra Negra, filial da matriz, o cadáver de dona Maria de Jesus José da Rocha, casada com o capitão Manoel Pereira Monteiro, falecida de estupor sobre uma indigestão, sem os sacramentos, aos sessenta e oito anos de idade, envolta em hábito branco e solenemente encomendada pelo reverendo Joaquim Felis de Medeiros, com licença do vigário, lavrando-se o termo assinado pelo cônego vigário Manoel José Fernandes. No arquivo paroquial do Caicó não subsistem os livros de óbitos referentes aos anos de 1858 a 1872, período no qual certamente estaria lançado o termo de falecimento de Manoel Pereira Monteiro, ocorrido em dezessete de junho de mil oitocentos e sessenta e um, quando já contava noventa anos de idade. Do inventário de seus bens, realizado no mesmo ano de 1861, coube a cada um dos nove herdeiros a quantia de 24:737$375, perfazendo o montante rateado de 222:636$375, sendo oportuno assinalar que, à época, uma oitava de ouro custava quatro mil réis, com peso de 3,589 gramas. Com base nos assentamentos existentes no Arquivo Paroquial do Caicó, identificam-se como filhos do casal Manoel Pereira Monteiro e Maria de Jesus José da Rocha os seguintes descendentes: Isabel Rita Caetana da Silveira, que se casou aos nove de fevereiro de mil oitocentos e vinte e cinco, na fazenda Dinamarca, com José Dantas Corrêa de Góis, filho legítimo de Antônio Dantas Corrêa de Góis e de dona Josefa Francisca de Araújo e Almeida, natural da freguesia dos Patos, tendo o casamento sido celebrado com as bênçãos nupciais dentro da missa, na presença de testemunhas ilustres, conforme assento lavrado pelo vigário Francisco de Brito Guerra; Senhorinha Maria dos Passos, casada aos vinte e quatro de novembro de mil oitocentos e vinte e nove, igualmente na fazenda Dinamarca, com Lourenço Dantas Corrêa de Góis, natural da freguesia de Pajaú de Flores, filho do capitão Antônio Dantas Corrêa de Góis e de dona Josefa Francisca de Araújo, conforme termo lavrado pelo mesmo vigário; Maria de Jesus da Conceição, nascida aos oito de março de mil oitocentos e dezoito, batizada na Serra Negra, e casada aos treze de agosto de mil oitocentos e trinta e dois com Ovídio Gonçalves Valle, natural da freguesia de Santo Antônio do Recife, filho de João Maria Valle e de Maria Joaquina de Aguiar; Manoel Pereira Monteiro Júnior, que contraiu matrimônio aos dez de dezembro de mil oitocentos e trinta e três, na fazenda Dinamarca, com sua prima legítima Ana Francisca dos Passos, filha do capitão Francisco Pereira Monteiro e de Joana Pereira de Araújo; Cândido Pereira Monteiro, da fazenda Travessia, no município de Patos, que se casou no Recife com Maria Julieta Burle, filha do francês Joseph Burle, vindo a falecer aos treze de maio de mil oitocentos e setenta e oito; Francisco Pereira Monteiro, nascido aos trinta de novembro de mil oitocentos e quinze, batizado na Capela da Serra Negra, tendo como padrinhos o capitão Francisco Pereira Monteiro e sua irmã Rosa Maria do Sacramento; Joaquim Pereira Monteiro, nascido aos trinta e um de março de mil oitocentos e dezenove, batizado na mesma capela, que veio a residir em Paulista, na ribeira das Piranhas, e já se encontrava falecido por ocasião do inventário de 1861; Antônio Pereira Monteiro, conhecido por Antônio Pereira Cangalha, da fazenda Jerusalém, em São João do Sabugi, nascido aos vinte de novembro de mil oitocentos e vinte, batizado na Capela da Serra Negra, figura que, segundo Juvenal Lamartine, chegou a possuir, no final do século XIX, mais de dez mil cabeças de gado distribuídas por várias fazendas, falecendo nonagenário; Ana Senhorinha, que se casou em vinte e quatro de maio de mil oitocentos e cinquenta e três, na fazenda Dinamarca, com Antônio Soares de Macedo, natural do Assu, filho de Pedro Soares de Macedo e Ana Teresa, vindo ela a falecer aos vinte e cinco de maio de mil oitocentos e sessenta e dois; e, por fim, José Pereira Monteiro, nascido aos primeiros dias de agosto de mil oitocentos e vinte e cinco e batizado aos dez de setembro do mesmo ano, na fazenda Dinamarca, tendo por padrinhos o capitão Antônio Dantas Corrêa de Góis e sua esposa dona Josefa Francisca de Araújo e Almeida, representados por procuração, compondo, assim, um dos mais extensos e documentados núcleos familiares da linhagem Pereira Monteiro no Seridó.
-----------------
Sebastião de Medeiros Rocha, nascido em 1772, contraiu matrimônio em duas ocasiões ao longo de sua vida. Seu primeiro enlace foi com Maria Leocádia da Conceição, nascida também em 1772 e falecida em 1820, filha de Antônio Pais de Bulhões e Ana de Araújo Pereira. Posteriormente, casou-se com Vitorina Maria da Conceição de Araújo, filha de Cosme Fernandes Freire e Sebastiana Dias de Araújo, consolidando laços familiares que reforçaram a presença da família Medeiros na região.
A história da família entrelaça-se ainda com a trajetória de Antônia Maria, conhecida como Maria de Medeiros Pimentel, que nasceu em 16 de novembro de 1718 na Ribeira Seca, Ilha de São Miguel, sendo batizada cinco dias depois, em 21 de novembro do mesmo ano. Maria de Medeiros Pimentel casou-se em 7 de dezembro de 1737 com Francisco Ferreira, também natural da mesma localidade, nascido em 3 de março de 1710. Desse matrimônio nasceram três filhos: José, em 24 de novembro de 1738; Joana, em 23 de junho de 1741; e Bárbara, em 13 de fevereiro de 1744, perpetuando a linhagem familiar nas ilhas açorianas.
Outro ramo relevante da família inicia-se com Gregório de Matos, igualmente natural de São Pedro da Ribeira Seca, Ilha de São Miguel, pai de José Inácio de Matos. Este, por sua vez, uniu-se em matrimônio com Quitéria Maria da Conceição, nascida aproximadamente em 1754 em Santa Luzia, Paraíba, e falecida em 22 de novembro de 1814 em Caicó, Rio Grande do Norte. Quitéria era filha de Sebastião de Medeiros Matos e Antônia de Morais Valcácer, reforçando a continuidade da linhagem e a presença marcante da família Medeiros nas regiões do Seridó e do litoral nordestino.
Essa complexa teia de genealogias evidencia não apenas os laços familiares, mas também a articulação de gerações que, por meio de casamentos estratégicos e descendência numerosa, consolidaram a influência da família Medeiros nas ilhas açorianas e no Nordeste brasileiro, deixando um legado histórico de relevância para o estudo das genealogias da região.
Joaquim Pereira de Araújo (nascido em 1774) casou-se pela primeira vez com Josefa Freire de Medeiros, filha de Antônio Tavares dos Santos e Rita Maria da Conceição. Dessa união, nasceu Joaquim Pereira de Araújo, conhecido como Quincoló, que era seu homônimo.
Em seu segundo casamento, Joaquim se uniu a Maria dos Santos Silva, filha de Antônio da Silva e Souza e Teresa Maria Rocha. A tradição familiar relata que Maria dos Santos Silva, na verdade, era filha de Tomaz de Araújo Pereira (o terceiro), gerada com Teresa Maria Rocha quando esta ainda era solteira. Ao ser constatada a gravidez, Teresa se casou com o português Antônio da Silva e Souza, que já era viúvo de Dona Adriana de Holanda de Vasconcelos. O casamento ocorreu em 24 de junho de 1794. A criança, nascida no mesmo ano ou no início do ano seguinte, foi batizada como filha de Antônio da Silva e Souza.
-------------------------
Padre Manoel Teixeira da Fonseca, figura de grande relevo na história religiosa do Seridó, foi amplamente referido por Dom José Adelino Dantas ao examinar os livros paroquiais mais antigos da região. Segundo esse autor, ao folhear as folhas já amarelecidas desses registros, o nome do sacerdote surge de forma recorrente a partir dos últimos anos do século XVIII, revelando a longa e constante atuação pastoral do religioso. Em seus escritos, Dom José Adelino registra o nome completo do sacerdote — Padre Manoel Teixeira da Fonseca de Lima — observando tratar-se de uma designação pouco familiar àqueles que nunca se dedicaram ao manuseio direto dos arquivos históricos da terra.
De acordo com informações constantes do próprio testamento do padre, ele era natural do Seridó, onde nasceu no ano de 1773. Seu pai, Luís Teixeira da Fonseca, português de origem, conforme anotação do padre Guerra, contraiu matrimônio com uma mulher seridoense chamada Joana Batista da Encarnação. Deste casal nasceu o futuro sacerdote. Tudo indica que sua ordenação tenha ocorrido no ano de 1795, iniciando, assim, uma vida sacerdotal excepcionalmente longa.
Já em idade avançada, contando oitenta e oito anos, Padre Manoel Teixeira da Fonseca decidiu lavrar seu testamento, documento datado de 10 de março de 1861, cujo original ainda se encontrava, à época do relato, no cartório competente do Jardim do Seridó. O testamento foi oficialmente aberto em 18 de julho de 1864, data do falecimento do sacerdote, na presença das testemunhas padre Antônio do Monte e Silva e Tomaz de Aquino Pereira. O padre veio a falecer em sua residência, na vila do Jardim do Seridó, aos 18 de julho de 1864, com noventa e um anos de idade e sessenta e nove de sacerdócio, conservando plena lucidez de espírito até o fim. Segundo os relatos, sua morte foi causada por uma indisposição gástrica que lhe interrompeu a longa existência.
Manoel Dantas, por sua vez, deixou registradas diversas passagens pitorescas envolvendo o Padre Manoel Teixeira da Fonseca e seu primo, igualmente sacerdote, Inácio Gonçalves Melo. Segundo esse autor, a família Teixeira exerceu expressiva predominância social no Caicó por mais de um quarto de século. Além do coronel José Teixeira, destacou-se o Padre Teixeira, que foi vigário de Caicó durante muitos anos e deixou lembranças ao mesmo tempo curiosas e singulares. Era reconhecido como homem virtuoso, de cuja conduta nunca se levantaram suspeitas morais, mas também como sacerdote destituído de complacência no trato com os fiéis, notabilizando-se por suas rabugices, franqueza excessiva e atitudes bruscas.
Era costume, naquele período, que os vigários percorressem as fazendas em desobriga, e o Padre Teixeira cumpria rigorosamente as determinações do Ordinário nesse aspecto. Confessava regularmente os penitentes, mas, quando se tratava de crianças e escravos ainda não aptos à comunhão, reunia-os para uma confissão coletiva, na qual os pecados eram punidos com pancadas de uma robusta tabica de japecanga, da qual jamais se separava.
Relata-se que, certa vez, em desobriga na casa do coronel João Gomes da Silva, ao confessar um escravo geralmente tido como bem-comportado, o padre perguntou-lhe se nutria sentimentos de ódio contra o senhor. Diante da resposta negativa, que correspondia à verdade, o sacerdote, enfurecido, desferiu-lhe algumas tabicadas, acusando-o de mentir diante do confessor.
Nas fazendas, os homens se confessavam face a face com o padre, enquanto, para as mulheres, armava-se uma cortina na porta que separava a sala principal do interior da casa, garantindo certa reserva. Em uma dessas ocasiões, uma mulher confessou, entre outros pecados, haver furtado um tacho. Exausto pelas longas noites ouvindo confissões, o Padre Teixeira acabou adormecendo. A penitente, percebendo que não era ouvida, retirou-se. Em seguida, outro fiel ajoelhou-se para confessar-se, despertando o sacerdote, que, julgando tratar-se da mesma mulher, perguntou-lhe por que havia cedido à tentação de furtar um tacho. Diante da negativa do novo penitente e da constatação do equívoco, o padre chamou em voz alta a mulher que confessara o furto, para que completasse a confissão, mas nenhuma se apresentou.
Noutra ocasião, já paramentado para celebrar a missa conventual na Matriz do Caicó, o padre foi solicitado a ouvir uma confissão urgente. Atendeu ao pedido e ouviu de um penitente a confissão de um roubo cometido naquela mesma manhã: o furto de um carneiro. Como penitência, determinou que o objeto fosse imediatamente restituído ao dono. Retornando à sacristia para concluir a paramentação, o sacerdote avistou o mesmo penitente acomodado na igreja, pronto para assistir à missa, e, indignado, repreendeu-o duramente por não ter cumprido a penitência imposta.
Manoel Dantas recorda ainda a amizade peculiar entre o Padre Teixeira e o Padre Inácio de Melo, sacerdote igualmente respeitado por sua piedade, mas conhecido por andar sempre munido de um chicote de couro cru, assim como o primeiro jamais se separava de sua tabica. Ao se encontrarem, trocavam impropérios acompanhados de uma chicotada e uma tabicada, para em seguida se abraçarem cordialmente.
Conta-se que, certa tarde, o Padre Inácio, vindo do Jardim para sua fazenda, encontrou-se com o Padre Teixeira, que seguia apressado para confessar um moribundo. Ao cruzarem-se, trocaram as provocações habituais, e o Padre Inácio atingiu o amigo com uma violenta chicotada. O Padre Teixeira, por sua vez, tentou revidar com a tabica e chegou a persegui-lo a galope pelas ruas do Caicó, percorrendo léguas adicionais até alcançar a fazenda do outro, onde novamente trocaram golpes simbólicos antes de se abraçarem. Só então o Padre Teixeira retomou o caminho para atender o enfermo, tendo percorrido, por causa do episódio, cerca de quatro léguas a mais.
Apesar dessas excentricidades, Padre Manoel Teixeira da Fonseca deixou memória respeitável e duradoura, sendo lembrado como sacerdote caridoso, íntegro e honesto, cuja longa vida pastoral marcou profundamente a história religiosa e social do Seridó.
-------------------------
MARIA MARCELINA DA CONCEIÇÃO nasceu por volta de 1771 e era filha legítima do Tenente Antônio de Azevedo Maia e de sua esposa Micaéla Dantas Pereira. Casou-se com JOÃO BATISTA DOS SANTOS, também referido em alguns registros como João Batista de Melo, filho legítimo do casal João Alves dos Santos e Helena do Rosário de Melo, figurando este sob o número de ordem N.º 6 no capítulo referente à descendência de Domingos Alves dos Santos.
O matrimônio foi celebrado aos vinte e cinco dias do mês de agosto de mil setecentos e noventa e um, na Fazenda da Conceição, situada na Freguesia do Seridó. Após realizadas as diligências e denúncias canônicas exigidas pelo rito, sem que se constatasse qualquer impedimento, na presença do celebrante e das testemunhas, o Capitão Caetano Dantas Corrêa e Paulo Gomes de Melo, moradores da mesma freguesia, receberam-se em matrimônio, segundo o rito tridentino e por palavras de presente, João Baptista de Melo e Maria Marcelina, ambos naturais e moradores da freguesia, sendo-lhes então concedidas as bênçãos nupciais, na forma do rito da Santa Madre Igreja, lavrando-se o respectivo assento.
João Batista e Maria Marcelina foram os troncos da família Batista, amplamente difundida pelo Seridó, especialmente nos atuais municípios de Timbaúba dos Batistas e Caicó. Conforme assinala o autor José Augusto, trata-se de uma das famílias de instalação mais recente na região, mas, ainda assim, de numerosa descendência, tendo contribuído de modo relevante para o progresso do município de Caicó. Destaca-se, entre seus membros, a notável longevidade, com diversos descendentes ultrapassando um século de vida.
No ano de 1827, o casal residia na freguesia de Patos; em 1828, encontrava-se estabelecido na fazenda denominada Travessia das Espinharas. Habitaram ainda o sítio do Catururé, em território do atual município de Jardim do Seridó. Segundo a tradição familiar, João Batista era conhecido por ostentar acentuada calvície, característica que se teria transmitido a vários de seus descendentes.
Maria Marcelina da Conceição faleceu aos vinte e seis dias do mês de maio de mil oitocentos e quarenta e quatro, sendo sepultada na Matriz de Santa Anna do Seridó. À época de seu falecimento, residia na referida freguesia, era casada com João Baptista dos Santos e contava cerca de setenta anos de idade. Faleceu em consequência de feridas no útero, tendo recebido todos os sacramentos, sendo seu corpo envolto em hábito branco e solenemente encomendado, conforme registrado no respectivo termo de óbito.
Ana Rosa da Conceição (registada como Anna Roza da Conceição), nascida por volta de 1778, vinculou-se por laços matrimoniais a José Soares de Vasconcelos, filho legítimo de José Soares e de Dona Francisca de Melo e Aciolli (Axioli). O consórcio foi celebrado às nove horas e meia da manhã do dia dez de maio de 1798, na Igreja Matriz, em conformidade com as normas do Concílio de Trento.
A cerimônia foi testemunhada pelo alferes José de Azevedo Maia e por João Marques de Macedo. O contraente era natural da freguesia de Mamanguape, sendo seus pais já falecidos à data do enlace. A nubente era natural da freguesia do Seridó, filha legítima do Capitão Antônio de Azevedo Maia e de Dona Michaela Dantas Correia. O ato ocorreu após as devidas denunciações, sem que se verificasse qualquer impedimento.
---------------------
JOSÉ DE AZEVEDO MAIA nasceu por volta de 1776 e era filho legítimo do Capitão Antônio de Azevedo Maia e de sua esposa Micaéla Dantas Pereira. Contraiu matrimônio com TOMÁZIA MARIA DA CONCEIÇÃO, filha legítima do Tenente-Coronel Caetano Dantas Corrêa e de Luzia Maria do Espírito Santo, referente à descendência de Tomaz de Araújo Pereira.
O casamento realizou-se aos vinte e sete dias do mês de novembro de mil setecentos e noventa e nove, na Fazenda denominada Camaúba, situada na Freguesia do Seridó. Após cumpridas as denúncias canônicas exigidas pelo rito e não se tendo verificado qualquer impedimento, bem como obtida a necessária dispensa do parentesco em que se achavam ligados, concedida pela Santa Sé Apostólica, na presença do Reverendo Padre Manoel Teixeira da Fonseca, que celebrou o ato com a devida licença, e das testemunhas Antônio Dantas Corrêa de Góis e Antônio Thomaz de Azevedo, receberam-se em matrimônio, segundo o rito tridentino e por palavras de presente, José de Azevedo Maia e Tomázia Maria da Conceição, ambos naturais e moradores da referida freguesia.
Concluído o ato matrimonial, foram-lhes concedidas as bênçãos nupciais, na forma prescrita pelo rito da Santa Madre Igreja, lavrando-se o competente assento para memória e validade do sacramento.
------------------------------
O português Antônio da Rocha Gama, natural da freguesia de Torre de Moncorvo, na região de Trás-os-Montes, contraiu matrimônio com Isabel Maria de Jesus, natural do Seridó e pertencente a uma família cuja identificação não foi possível estabelecer. O casal já se encontrava casado em 1774, sendo plausível supor que Antônio da Rocha Gama, referido em tradições como “marinheiro”, tenha nascido por volta da metade do século XVIII. Os assentamentos curiais da antiga freguesia de Senhora Santana do Seridó registram a sua presença ainda em vida até o ano de 1812. Por sua vez, um livro de eleições da Irmandade das Almas do Caicó consigna que Isabel Maria de Jesus foi eleita, em 1830, para o cargo de juíza daquela confraria, o que evidencia sua longevidade e prestígio social.
Não foi possível levantar dados documentais precisos acerca das atividades econômicas desenvolvidas por Antônio da Rocha Gama na região. A tradição oral, contudo, aponta-o como proprietário rural no território de Caicó, sendo atribuída a ele a denominação da Serra do Gama, localizada ao norte da cidade, cujo topônimo derivaria de seu antigo possuidor. Ainda subsiste, às margens do Poço de Santana, no rio Seridó, uma casa de pedra edificada por Antônio da Rocha Gama, em bom estado de conservação, onde teria residido com sua família.
As informações genealógicas relativas à sua descendência são fragmentárias, restringindo-se, em grande medida, aos dados colhidos nos assentamentos eclesiásticos da freguesia do Seridó. Do matrimônio de Antônio da Rocha Gama e Isabel Maria de Jesus nasceram vários filhos, entre os quais Teresa Maria da Rocha, nascida por volta de 1775, que se casou com Antônio da Silva e Souza, natural da freguesia de Santo Tirso, do bispado do Porto, filho legítimo de João da Silva Jaques e Margarida Dias Fernandes. Antes desse enlace, Antônio da Silva e Souza fora casado com Adriana de Holanda e Vasconcelos, viúva do coronel Cipriano Lopes Galvão. O casal Antônio e Teresa estabeleceu residência no Caicó, e registros do Regimento Miliciano da Vila do Príncipe indicam que Antônio da Silva e Souza assentou praça em 25 de junho de 1791, foi promovido por patente expedida em 1790 e alcançou o posto de coronel em 6 de junho de 1794. Segundo José Augusto, foi ele o primeiro presidente da Câmara da Vila Nova do Príncipe, quando da criação do município em 31 de julho de 1788. O casamento com Teresa Maria da Rocha realizou-se em 24 de junho de 1794, poucos dias após sua promoção. O coronel faleceu em 5 de junho de 1819, com setenta e tantos anos, sendo sepultado na Matriz do Cruzeiro, ao passo que Teresa Maria da Rocha veio a falecer em 28 de outubro de 1844, com sessenta e nove anos, sendo sepultada na Matriz de Santa Ana do Seridó.
Desse matrimônio descenderam, entre outros, Antônio, nascido em 11 de maio de 1804; Francisco Maurício da Silva, nascido em 22 de setembro de 1805, que se casou com Maria Rita da Conceição, filha de Domingos Álvares de Santana e Ana Maria da Rocha; Joaquim, nascido em 13 de fevereiro de 1815; Joana Faustina da Silva, que se casou com Rodrigo Freire de Medeiros; Maria dos Santos Silva, primogênita, cuja paternidade biológica é atribuída, pela tradição familiar, a Tomaz de Araújo Pereira, embora tenha sido registrada como filha legítima de Antônio da Silva e Souza; João de Deus Silva, que se casou com Delfina Umbelina da Silva; entre outros descendentes.
Outra filha do casal Antônio da Rocha Gama e Isabel Maria de Jesus foi Florência Maria da Rocha, nascida por volta de 1779, que contraiu matrimônio com José de Souza e Silva, filho de Antônio Inácio da Silva e Ana de Souza Marques. Florência faleceu em 30 de janeiro de 1858, aos setenta e oito anos de idade. Deste casamento nasceram, entre outros, Belchior da Silva e Souza, João, Delfina e Ana Suzana da Silva, esta última casada com Antônio Tavares dos Santos.
Ana Maria da Rocha, igualmente filha de Antônio da Rocha Gama, casou-se com Domingos Álvares de Santana, natural de Igarassu, filho de Domingos Álvares de Figueiredo e Gertrudes Maria de Santa Rita. O casal teve numerosa descendência, entre os quais Maria Rita da Conceição, Rosa, Joana, Francisco, Manoel, Ana, Ana Joaquina da Conceição — que se casou com João Raimundo Freire —, entre outros. Domingos Álvares de Santana faleceu em 1827, vítima de mordida de cobra cascavel, havendo evidente erro material na idade declarada no assento de óbito.
Josefa de Jesus Maria, nascida por volta de 1780, casou-se com Elias Ribeiro da Silva, filho de Antônio Carlos da Silva e Rosa Maria da Conceição. Josefa faleceu em 1822, em decorrência de parto, deixando vários filhos, entre eles Delfina Umbelina da Silva, Maria, Francisco, Cândida, Joaquim, Ana e Isabel.
Outra filha foi Córdula Francisca da Rocha, conhecida pelo apelido de Cordinha, que se casou com Antônio Francisco de Miranda Júnior, filho de Antônio Francisco de Miranda e Maria da Conceição de Ataíde. O casal transferiu-se posteriormente para Icó, no Ceará, tendo gerado descendência ali e no Seridó.
João da Rocha Gama, outro filho do casal, contraiu matrimônio com Maria Rosa do Nascimento, filha de João Serafim da Costa e Joana Maria do Nascimento. Desse enlace nasceram José, Joana, José, Gorgônio e outros filhos registrados nos livros paroquiais da Matriz do Seridó.
Por fim, Joana Maria da Rocha, filha de Antônio da Rocha Gama, teve em solteirice um filho natural, Manoel Daniel, cujo pai foi o padre Francisco de Brito Guerra, conforme declarado por este em testamento. Posteriormente, Joana Maria da Rocha contraiu matrimônio com o viúvo José da Silva Fernandes, natural da freguesia de Mamanguape, descendente, ao que tudo indica, de Antônio Fernandes Pimenta, casamento celebrado em 14 de setembro de 1812.
O conjunto dessas informações evidencia a relevância do tronco familiar de Antônio da Rocha Gama e Isabel Maria de Jesus na formação genealógica, social e territorial do Seridó, com ramificações que se estenderam por diversas localidades do Rio Grande do Norte e do Ceará, deixando marcas duradouras na história regional.
Se desejar, posso uniformizar grafias antigas, organizar esse material em capítulo definitivo de livro, produzir quadros genealógicos, ou converter o texto para versão editorial (Word ou PDF) com notas críticas e referências.Segue a reescrita contínua, formal, técnica e historiográfica, adequada à norma culta da língua portuguesa, preservando integralmente o conteúdo factual, genealógico, cronológico e documental apresentado, sem títulos, enumerações visuais ou destaques gráficos, em redação uniforme e própria para obra histórica ou genealógica.
O português Antônio da Rocha Gama, natural da freguesia de Torre de Moncorvo, na região de Trás-os-Montes, contraiu matrimônio com Isabel Maria de Jesus, natural do Seridó e pertencente a uma família cuja identificação não foi possível estabelecer. O casal já se encontrava casado em 1774, sendo plausível supor que Antônio da Rocha Gama, referido em tradições como “marinheiro”, tenha nascido por volta da metade do século XVIII. Os assentamentos curiais da antiga freguesia de Senhora Santana do Seridó registram a sua presença ainda em vida até o ano de 1812. Por sua vez, um livro de eleições da Irmandade das Almas do Caicó consigna que Isabel Maria de Jesus foi eleita, em 1830, para o cargo de juíza daquela confraria, o que evidencia sua longevidade e prestígio social.
Não foi possível levantar dados documentais precisos acerca das atividades econômicas desenvolvidas por Antônio da Rocha Gama na região. A tradição oral, contudo, aponta-o como proprietário rural no território de Caicó, sendo atribuída a ele a denominação da Serra do Gama, localizada ao norte da cidade, cujo topônimo derivaria de seu antigo possuidor. Ainda subsiste, às margens do Poço de Santana, no rio Seridó, uma casa de pedra edificada por Antônio da Rocha Gama, em bom estado de conservação, onde teria residido com sua família.
As informações genealógicas relativas à sua descendência são fragmentárias, restringindo-se, em grande medida, aos dados colhidos nos assentamentos eclesiásticos da freguesia do Seridó. Do matrimônio de Antônio da Rocha Gama e Isabel Maria de Jesus nasceram vários filhos, entre os quais Teresa Maria da Rocha, nascida por volta de 1775, que se casou com Antônio da Silva e Souza, natural da freguesia de Santo Tirso, do bispado do Porto, filho legítimo de João da Silva Jaques e Margarida Dias Fernandes. Antes desse enlace, Antônio da Silva e Souza fora casado com Adriana de Holanda e Vasconcelos, viúva do coronel Cipriano Lopes Galvão. O casal Antônio e Teresa estabeleceu residência no Caicó, e registros do Regimento Miliciano da Vila do Príncipe indicam que Antônio da Silva e Souza assentou praça em 25 de junho de 1791, foi promovido por patente expedida em 1790 e alcançou o posto de coronel em 6 de junho de 1794. Segundo José Augusto, foi ele o primeiro presidente da Câmara da Vila Nova do Príncipe, quando da criação do município em 31 de julho de 1788. O casamento com Teresa Maria da Rocha realizou-se em 24 de junho de 1794, poucos dias após sua promoção. O coronel faleceu em 5 de junho de 1819, com setenta e tantos anos, sendo sepultado na Matriz do Cruzeiro, ao passo que Teresa Maria da Rocha veio a falecer em 28 de outubro de 1844, com sessenta e nove anos, sendo sepultada na Matriz de Santa Ana do Seridó.
Desse matrimônio descenderam, entre outros, Antônio, nascido em 11 de maio de 1804; Francisco Maurício da Silva, nascido em 22 de setembro de 1805, que se casou com Maria Rita da Conceição, filha de Domingos Álvares de Santana e Ana Maria da Rocha; Joaquim, nascido em 13 de fevereiro de 1815; Joana Faustina da Silva, que se casou com Rodrigo Freire de Medeiros; Maria dos Santos Silva, primogênita, cuja paternidade biológica é atribuída, pela tradição familiar, a Tomaz de Araújo Pereira, embora tenha sido registrada como filha legítima de Antônio da Silva e Souza; João de Deus Silva, que se casou com Delfina Umbelina da Silva; entre outros descendentes.
Outra filha do casal Antônio da Rocha Gama e Isabel Maria de Jesus foi Florência Maria da Rocha, nascida por volta de 1779, que contraiu matrimônio com José de Souza e Silva, filho de Antônio Inácio da Silva e Ana de Souza Marques. Florência faleceu em 30 de janeiro de 1858, aos setenta e oito anos de idade. Deste casamento nasceram, entre outros, Belchior da Silva e Souza, João, Delfina e Ana Suzana da Silva, esta última casada com Antônio Tavares dos Santos.
Ana Maria da Rocha, igualmente filha de Antônio da Rocha Gama, casou-se com Domingos Álvares de Santana, natural de Igarassu, filho de Domingos Álvares de Figueiredo e Gertrudes Maria de Santa Rita. O casal teve numerosa descendência, entre os quais Maria Rita da Conceição, Rosa, Joana, Francisco, Manoel, Ana, Ana Joaquina da Conceição — que se casou com João Raimundo Freire —, entre outros. Domingos Álvares de Santana faleceu em 1827, vítima de mordida de cobra cascavel, havendo evidente erro material na idade declarada no assento de óbito.
Josefa de Jesus Maria, nascida por volta de 1780, casou-se com Elias Ribeiro da Silva, filho de Antônio Carlos da Silva e Rosa Maria da Conceição. Josefa faleceu em 1822, em decorrência de parto, deixando vários filhos, entre eles Delfina Umbelina da Silva, Maria, Francisco, Cândida, Joaquim, Ana e Isabel.
Outra filha foi Córdula Francisca da Rocha, conhecida pelo apelido de Cordinha, que se casou com Antônio Francisco de Miranda Júnior, filho de Antônio Francisco de Miranda e Maria da Conceição de Ataíde. O casal transferiu-se posteriormente para Icó, no Ceará, tendo gerado descendência ali e no Seridó.
João da Rocha Gama, outro filho do casal, contraiu matrimônio com Maria Rosa do Nascimento, filha de João Serafim da Costa e Joana Maria do Nascimento. Desse enlace nasceram José, Joana, José, Gorgônio e outros filhos registrados nos livros paroquiais da Matriz do Seridó.
Por fim, Joana Maria da Rocha, filha de Antônio da Rocha Gama, teve em solteirice um filho natural, Manoel Daniel, cujo pai foi o padre Francisco de Brito Guerra, conforme declarado por este em testamento. Posteriormente, Joana Maria da Rocha contraiu matrimônio com o viúvo José da Silva Fernandes, natural da freguesia de Mamanguape, descendente, ao que tudo indica, de Antônio Fernandes Pimenta, casamento celebrado em 14 de setembro de 1812.
O conjunto dessas informações evidencia a relevância do tronco familiar de Antônio da Rocha Gama e Isabel Maria de Jesus na formação genealógica, social e territorial do Seridó, com ramificações que se estenderam por diversas localidades do Rio Grande do Norte e do Ceará, deixando marcas duradouras na história regional.

Comentários
Postar um comentário