1710-1719

 


Capitão-Mor Caetano Dantas Correia , uma figura fundadora na história do Seridó, nasceu em 1710 na cidade da Paraíba (atual João Pessoa) e faleceu em 1797, aos 87 anos, na região que hoje corresponde ao município de Acari/RN. Filho de um português e uma brasileira, ele descendia de judeus sefarditas, conhecidos como B'nei anussim ou Marranos, que se converteram ao catolicismo para escapar da perseguição da Inquisição, mas mantiveram sua fé em segredo.

Aos dezessete anos, Caetano se aventurou pelos sertões do Seridó ao lado de um irmão mais velho, em um período que marcou os primórdios da colonização da região, que se estendia pelos territórios potiguares e paraibanos. Ele se estabeleceu como um próspero criador de gado e adquiriu a Fazenda Picos de Cima, sua morada principal até a morte.

Em 1753, Caetano se casou com Josefa Araújo Pereira, filha de um português de uma fazenda vizinha. O casal teve dezessete filhos, contribuindo significativamente para o povoamento do sertão. A prática de casamentos entre primos e tios com sobrinhos era comum nesse período, uma estratégia para manter os bens e a ascendência familiar dentro dos clãs. Uma das muitas propriedades do patriarca, a Fazenda Carnaúbas, deu origem à cidade de Carnaúba dos Dantas, que, não à toa, se tornou o município com a maior concentração do sobrenome Dantas na região.

O legado de Caetano Dantas Correia é tão evidente que o livro escrito por Dom Adelino sobre sua vida tem sido utilizado por muitos descendentes para obter a cidadania portuguesa ou espanhola. A obra, da qual apenas cem exemplares foram reeditados, traz na capa o ferro de marcar gado da família, um símbolo de seu poder e domínio na região. O Capitão-Mor foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora da Guia, que mais tarde se transformaria na Igreja do Rosário, em Acari, deixando uma marca indelével na história do Seridó.



Nascido na cidade da Paraíba (atual João Pessoa) por volta de 1710, Caetano Dantas Correia foi uma figura seminal na história do Seridó. Filho de um português e uma brasileira, sua linhagem possivelmente se conectava aos B'nei anussim (marranos), judeus sefarditas que, para escapar da perseguição religiosa, convertiam-se ao catolicismo, mantendo, no entanto, suas práticas e tradições em segredo.

Caetano Dantas Correia estabeleceu-se como um dos maiores proprietários de terras da região, com fazendas no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Em 1753, casou-se com Josefa Araújo Pereira, filha de um vizinho português. Desse casamento, nasceu uma vasta prole de 17 filhos, consolidando a família Dantas como uma das mais influentes do Seridó. A endogamia, através de casamentos entre primos, tios e sobrinhos, era uma prática comum na época, empregada para preservar o patrimônio e os valores familiares.

O Capitão-mor faleceu em sua fazenda no atual município de Acari em 1797, aos 87 anos de idade. Seu sepultamento ocorreu na Igreja de Nossa Senhora da Guia, que mais tarde se tornaria a Igreja do Rosário, em Acari. Uma de suas propriedades, a Fazenda Carnaúbas, deu origem ao município de Carnaúba dos Dantas, cujo nome e história refletem a forte presença da família na região, que até hoje ostenta a maior concentração do sobrenome.

A importância histórica da família Dantas é tão relevante que, segundo o editor Abimael Silva, o livro do Monsenhor Adelino Dantas, que detalha a genealogia local, tem sido utilizado como prova de origem por muitos descendentes seridoenses para obter cidadania portuguesa ou espanhola. Esse documento, de grande valia para a história potiguar, teve uma reedição limitada a 100 exemplares, o que sublinha sua raridade e seu significado histórico.

Os inventários de bens dos irmãos Gregório José Dantas Corrêa (1712-1759) e do Coronel Caetano Dantas Corrêa (1710-1797) constituem documentos de extraordinária relevância para a compreensão da formação, certo modo,  socioeconômico do Seridó, na Capitania do Rio Grande do Norte, ao longo do século XVIII. 

Por meio desses autos, é possível reconstruir não apenas a dimensão material das fortunas familiares, mas também as estruturas sociais, as práticas econômicas, os padrões culturais e as estratégias de reprodução patrimonial que sustentaram o poder local por gerações. 

Embora separados por quase quatro décadas e marcados por condições documentais distintas, temos um fragmentário e outro amplamente preservado, ambos os inventários revelam, de forma complementar, a consolidação de uma gema fundada na posse da terra, na pecuária extensiva.

O inventário do Sargento-Mor Gregório José Dantas Corrêa teve início por volta de 1760, na Cidade do Natal, e encontra-se atualmente arquivado no 1º cartório judiciário da comarca de Acari, sob o número de ordem 3. Trata-se de um processo significativamente desfalcado, com perda de numerosas folhas, o que impõe limites à análise quantitativa integral do patrimônio. 

Ainda assim, os fragmentos remanescentes oferecem informações preciosas acerca da estrutura familiar, das práticas de tutela e da natureza dos bens que compunham a fortuna de um dos principais representantes da elite sertaneja de meados do século XVIII.

Gregório José Dantas Corrêa, detentor do posto de Sargento-Mor, era casado com Dona Joana de Araújo Pereira (1740-1818), com quem teve três filhos: Albino, nascido em 1752; Rosa, em 1754; e Gregório, em 1758. 

Com sua morte, os filhos ficaram órfãos de pai, e a viúva veio posteriormente a contrair novo matrimônio com o Capitão Estêvão Álvares Bezerra, que assumiu legalmente o papel de inventariante e tutor dos menores. Atuaram inicialmente no processo o Juiz de Órfãos Capitão Simão Rodrigues Corrêa e o escrivão Albino Duarte de Oliveira, figuras que garantiram a tramitação formal do inventário segundo os usos jurídicos da época.

O documento revela, de maneira eloquente, a endogamia característica das famílias do Seridó, sobretudo nessas épocas remotas. Gregório José Dantas Corrêa (1712-1759) era irmão de Caetano Dantas Corrêa (1710-1797), e ambos haviam se casado com duas irmãs, Joana e Josefa de Araújo Pereira (1739-1816), filhas do português Tomás de Araújo Pereira (1701-1781) e de Maria da Conceição de Mendonça (1718-1779). 

Essa aliança matrimonial reforçava a concentração de terras, rebanhos e influência política no seio de um mesmo grupo familiar, assegurando a continuidade do poder local.

Um dos aspectos mais expressivos do inventário de Gregório é a atenção dedicada à tutela e à educação dos filhos órfãos. Em 13 de outubro de 1763, perante o juiz de órfãos José Pedro de Vasconcelos, o tutor Estêvão Álvares Bezerra prestou contas detalhadas sobre a criação dos enteados. 

O termo lavrado, preservado com a grafia original, evidencia a concepção educacional vigente entre as elites coloniais. O filho mais velho, Albino, já dominava a leitura, a escrita e o cálculo, encontrando-se em estudos de gramática na Vila de Porto Alegre, preparação indispensável para o exercício futuro da administração patrimonial e da vida pública. 

A filha Rosa, por sua vez, permanecia no ambiente doméstico, onde aprendia os “ofícios feminis” sob a orientação direta da mãe, da avó e da esposa do tutor, sendo preparada para o governo do lar e para o casamento. O filho mais novo, Gregório, então com cinco para seis anos, ainda não frequentava escola formal, tanto pela tenra idade quanto por problemas de saúde, sendo mantido, assim como os irmãos, sob à responsabilidade do tutor, mediante prestação de contas.

Apesar das lacunas do processo, é possível reconstituir parcialmente a partilha dos bens. O monte líquido foi avaliado em 2:214$547, e a terça alcançou o valor de 3:093$849. Cada um dos três filhos menores recebeu inicialmente 1:031$283, acrescidos de 58$812 provenientes do remanescente da terça. Em termos fundiários, coube a cada herdeiro um quinhão avaliado em 333$333 no sítio da Carnaúba e 66$666 em terras situadas na serra da Borborema.

A discriminação dos bens evidencia o peso da pecuária na economia familiar. Ao herdeiro Gregório foram adjudicados, entre outros bens, treze bezerros, um poldro, duas éguas, três poldros, sete cavalos, sete éguas e expressivas duzentas e sessenta cabeças de gado vacum de toda sorte, avaliadas em 399$000. 

À herdeira Rosa couberam joias de elevado valor simbólico e material tipo broches, cordões, cruzes e cadeados de ouro, braceletes e uma caixa de breve de prata, além de um considerável conjunto de bens semoventes, incluindo novilhos, garrotas, bezerros, cavalos, bestas e duzentas e quarenta cabeças de gado vacum, o que demonstra que, mesmo dentro de uma lógica de diferenciação de gênero, as mulheres da elite sertaneja também eram titulares de patrimônio pecuário relevante.

Quase quatro décadas depois, o inventário do Coronel Caetano Dantas Corrêa (1710-1797), iniciado em 1797, oferece um panorama ainda mais completo e detalhado da riqueza e do modo de vida de um grande patriarca do Seridó. Caetano faleceu em 19 de julho de 1797, aos 87 anos, em sua fazenda dos Picos de Cima. 

Seu óbito foi registrado duas vezes no mesmo livro paroquial, por clérigos distintos, ambos atestando que foi sepultado na Capela de Nossa Senhora da Guia do Acari, envolto em hábito franciscano e após receber todos os sacramentos, circunstância que reforça sua posição de destaque social e religioso.

A abertura do inventário ocorreu por iniciativa de sua viúva, Dona Josefa de Araújo Pereira, perante o juiz de órfãos Manoel Teixeira da Fonseca, no termo da Nova Vila do Príncipe, então pertencente à comarca da Paraíba do Norte. Atuaram como escrivão João de Sousa e Silva e como avaliadores o Coronel Antônio da Silva e Souza e Estácio Joanes Pereira de Santiago.

O contexto econômico do inventário de Caetano é marcado pelos efeitos ainda recentes da chamada “Seca Grande” de 1790 a 1793, que dizimou rebanhos e abalou profundamente a economia seridoense. A despeito disso, o patrimônio arrolado revela uma fortuna robusta e diversificada. 

O coronel possuía oito propriedades rurais — Picos de Cima, Palma, Rajada, Carnaúba, Ermo, Riacho Fundo, Prazeres e um sítio na serra do Coité — que somavam cerca de dez léguas quadradas de terras de criar. Seu espólio incluía ainda 81 bovinos, 10 cavalares, 28 caprinos, 134 ovinos, além de uma vasta gama de bens móveis, ferramentas, joias e objetos domésticos.

O balanço financeiro do espólio apresenta um monte maior avaliado em 5:073$340, do qual foram deduzidas dívidas no valor de 350$775. Embora o documento registre um monte líquido de 5:336$565, cálculo que contém erro aritmético, a análise prossegue com os valores tal como consignados nos autos. 

Aos bens líquidos somaram-se os dotes previamente concedidos aos filhos, no montante de 2:595$290, resultando em um monte e meios-dotes de 7:911$855, valor final a ser partilhado.

A prática dos dotes matrimoniais aparece de forma clara e sistemática no inventário de Caetano Dantas Corrêa, funcionando como adiantamento das legítimas paternas e como instrumento de fortalecimento das alianças familiares. O dote concedido à filha primogênita, Micaela Dantas Pereira (1754-1799), por ocasião de seu casamento com Antônio de Azevedo Maia (1742-1822), ilustra de maneira exemplar essa estratégia. 

Avaliado em 606$500, o dote incluía dinheiro em espécie, joias de ouro, prataria, utensílios de cobre, duas escravas — Rita, de nação da Costa, e Vicência, crioula de seis meses —, além de potras, potros, vacas, novilhas, garrotas e extensões de terra situadas na ribeira do Seridó e na serra do Coité. 

A comparação dos valores dos semoventes entre o dote e o inventário evidencia, inclusive, a desvalorização relativa do gado após a seca, como no caso das vacas parideiras.

A relação detalhada dos bens inventariados de Caetano Dantas Corrêa permite uma visão minuciosa da cultura material da elite sertaneja: ouro em porções antigas, espadins e garfos de prata, fivelas, esporas, tachos de cobre, almofarizes, ferramentas de ferro, selas, cangalhas, caixas, mesas, malas, além de grandes contingentes de gado vacum, ovino e cavalar. Os bens de raiz, por sua vez, destacam-se tanto pelo valor econômico quanto pela extensão territorial, com sítios adquiridos por compra formal e delimitados por marcos, revelando uma economia já plenamente integrada às práticas jurídicas e mercantis do período colonial tardio.

A análise comparativa dos inventários dos irmãos Gregório e Caetano Dantas Corrêa evidencia tanto a continuidade quanto a evolução dos recursos familiar ao longo do século XVIII. O inventário de Gregório, embora fragmentário, revela uma renda baseada fundamentalmente na terra e no gado, característica de uma economia pecuarista extensiva em fase de consolidação. 

Já o inventário de Caetano reflete um patrimônio mais amadurecido, diversificado e complexo, no qual se combinam grandes extensões fundiárias, rebanhos significativos, bens manufaturados, trabalho escravizado e estratégias financeiras sofisticadas, como a concessão sistemática de dotes.

Em conjunto, esses documentos ultrapassam a condição de simples listas de bens e se afirmam como fontes primárias de excepcional valor para a história social, econômica e genealógica do Rio Grande do Norte colonial. Por meio deles, torna-se possível compreender os mecanismos de acumulação, transmissão e preservação de patrimônio, bem como os valores, as hierarquias e as práticas cotidianas que moldaram determinado grupo conhecido e deixaram marcas duradouras na formação histórica do Seridó.


MARIA DE MEDEIROS PIMENTEL (1712/ ).  Residente na Ribeira Seca, ilha de São Miguel. Esposa de João de Melo que era filho de Domingos de Melo e de Maria Francisca.  Residente em Maia, ilha de S.Miguel. Filhos do casal: Manuel Medeiros (1736/). Sebastião de Medeiros Matos  (1716/). 

 

Sebastião de Medeiros Matos, natural da Freguesia de São Pedro da Ribeira Seca, no Conselho da Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, arquipélago dos Açores, nasceu em 19 de janeiro de 1716 e foi batizado onze dias depois, em 30 de janeiro do mesmo ano, conforme registro lavrado pelo cura Domingos de Souza Ambar. O termo de batismo, constante do livro de batizados da referida freguesia (1714–1722), informa tratar-se de filho legítimo do alferes Manoel de Mattos e de sua esposa Maria de Medeiros, ambos naturais da localidade, tendo sido batizado na pia batismal da paróquia, na presença do reverendíssimo vigário João de Souza Freyre, de João da Silva e de Samchristam Manoel Rodrigues, que figuraram como padrinhos e testemunhas do ato. O documento confirma, com rigor formal, a filiação, a origem e a observância dos ritos religiosos vigentes à época.

Por volta de 1739, Sebastião transferiu-se para o Brasil, acompanhado de seu irmão Rodrigo de Medeiros Rocha, sendo tudo a indicar que era o mais jovem dos dois. Estabeleceu-se inicialmente na então povoação de Santa Luzia, na Paraíba, onde, segundo tradição familiar transmitida por seu descendente Alcindo de Medeiros Leite, construiu a terceira casa do lugar, situada na atual Rua Padre Jovino. Paralelamente, passou a residir também na fazenda Cacimba da Velha, propriedade que lhe teria advindo como dote matrimonial de sua esposa ou por herança de Manoel Fernandes Freire, seu sogro.

Por volta de 1738, Sebastião contraiu matrimônio com Antônia de Moraes Valcácer, segunda do nome, irmã de Apolônia Barbosa, esposa de Rodrigo de Medeiros Rocha. Viveu longos anos, ultrapassando os noventa e quatro de idade, sendo ainda mencionado em 1810 no inventário de seu genro Manoel Álvares da Nóbrega, lavrado na cidade de Santa Luzia. A data exata de seu falecimento permanece desconhecida em razão do desaparecimento dos antigos livros paroquiais da Freguesia de Nossa Senhora da Guia dos Patos. Sabe-se, contudo, que ainda se encontrava vivo em 1793, quando atuou como “louvado” no inventário dos bens de Domingos Alves dos Santos, ostentando então a patente de capitão, após ter exercido anteriormente os postos de alferes e tenente. Em 1757, figurava como tutor dos bens dos órfãos deixados por seu irmão Rodrigo, e, em 1759, requereu, em sociedade com Vicente Ferreira das Neves, a sesmaria de número 497. Também integrava a Irmandade das Almas do Caicó, evidenciando sua inserção na vida religiosa e social da região.

A tradição oral preservou com nitidez o seu perfil físico e temperamental, descrevendo-o como homem de estatura elevada, moreno, magro, de pernas finas, queixo proeminente e temperamento irascível, traços que contribuíram para fixar sua imagem na memória coletiva do sertão.

Do casamento entre Sebastião de Medeiros Matos e Antônia de Moraes Valcácer nasceram oito filhos, que constituem a segunda geração da família no Brasil, conforme levantamento genealógico realizado por Olavo de Medeiros Filho e Kyval da Cunha Medeiros. O primogênito, Sebastião de Medeiros Rocha, contraiu matrimônio em duas ocasiões, primeiramente com Maria Leocádia da Conceição, filha de Antônio Pais de Bulhões e Ana de Araújo Pereira, e, posteriormente, com sua prima Vitorina Maria da Conceição, também conhecida como Vitorina Maria de Araújo, filha de Cosme Fernandes Freire e Sebastiana Dias de Araújo, neta de Manuel Fernandes Freire e Antônia de Moraes Valcácer. Dessa união nasceram dez filhos, entre os quais se destacam Martinho de Medeiros Rocha, casado com sua prima Ana Joaquina do Sacramento; Manuel Antônio de Medeiros, que teve duas esposas, Córdula e Inácia Maria; e João Damasceno de Medeiros Rocha (1791–1856), proprietário da Fazenda Cachoeira, que, em 1811, casou-se com sua parenta Maria Joaquina dos Prazeres (1793–1862). Desse último casal nasceram treze filhos, figurando entre eles Manuel Damasceno Rocha (1811–1888), Francisco Antônio de Medeiros (1822), bisavô paterno do autor do levantamento, além de diversos outros descendentes que consolidaram a linhagem na região.

Outro filho de Sebastião, José de Medeiros Rocha, casou-se inicialmente com sua prima Maria do Sacramento de Medeiros e, em segundas núpcias, com Luzia, filha de João de Morais Camelo e Antônia de Moraes Severa. Sebastião de Medeiros Rocha Júnior uniu-se a Ana, sem que sua descendência tenha sido detalhada. As filhas Maria Leocádia da Conceição e Ana de Medeiros casaram-se, respectivamente, com Manoel Alves da Nóbrega e João de Morais Camelo Júnior. Teresa Maria de Jesus (1787–1844) contraiu matrimônio com João Garcia de Araújo; Isabel Maria da Conceição casou-se com Manoel Garcia de Medeiros; e Luzia Maria de Jesus uniu-se a Sebastião Garcia de Medeiros, todos filhos de Martinho Garcia de Araújo Pereira e Vicência Ferreira de Medeiros.

O segundo filho de Sebastião, Alexandre Manuel de Medeiros, falecido em 1834, casou-se com Antônia Maria da Conceição, estabelecendo residência na fazenda Cacimba da Velha, onde nasceram sete filhos, entre os quais Sebastião José de Medeiros, conhecido como “Sebastião do Mulungu”, e Alexandre Manuel de Medeiros Júnior. O terceiro filho, Bartolomeu José de Medeiros (1797–1894), conhecido como “Berto da Cacimba da Velha”, casou-se em duas ocasiões e deixou numerosa descendência, incluindo Joaquim Estanislau de Medeiros, avô paterno do historiador Olavo de Medeiros Filho. João Crisóstomo de Medeiros, quarto filho, casou-se com Francisca Xavier Dantas; Quitéria Maria da Conceição (1749–1814) faleceu viúva; Antônia de Moraes Severa uniu-se a João de Morais Camelo; Luzia Maria do Espírito Santo casou-se com Caetano Dantas Correia Júnior; e Vicência Ferreira de Medeiros (1760–1826) contraiu matrimônio com Martinho Garcia de Araújo Pereira.

Este levantamento genealógico, realizado e compilado por Anderson Tavares de Lyra, constitui valioso registro da complexa e extensa árvore familiar dos Medeiros no Seridó paraibano e potiguar, evidenciando o entrelaçamento de linhagens, os frequentes casamentos consanguíneos e a transmissão de propriedades, prestígio e influência ao longo de sucessivas gerações, consolidando-se como importante marco da história regional.

Por fim, esclarece-se que Catarina Valcácer de Morais, frequentemente apontada por alguns autores como esposa de seu tio Geraldo Ferreira das Neves Sobrinho, permaneceu solteira, conforme atesta de modo inequívoco seu assentamento de óbito. O registro informa que faleceu em 1º de agosto de 1799, sendo sepultada no dia seguinte na matriz, aos oitenta e cinco anos de idade, após receber os sacramentos da penitência e da extrema-unção, tendo sido envolta em hábito branco de Bertanha e sepultada no corpo da igreja, sob encomenda do vigário João de Santa Anna Roxa. À luz desses dados, conclui-se que Catarina tenha nascido por volta de 1713 ou 1714.



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